“A cultura é educação”

Rui Afonso, 45 anos. Nasceu em Guimarães e sempre acreditou que “ninguém faz nada sozinho”. Fez o curso de Turismo, esteve na Capital da Cultura Porto 2001 e Guimarães 2012. Atualmente trabalha como produtor de eventos e continua a ver na música um “um ponto de união, um ponto em que estamos ali coladinhos uns aos outros a falar a mesma linguagem”.

© João Bastos

A ideia dO Homem Nunca Está Só já existia, mas “a pandemia fez acelerar”. Muitas pessoas duvidaram, sem saber se o projeto tinha, ou não, pernas para andar. Dois concertos depois, “foi mesmo bom”. Este é um projeto que junta em palco a sua banda, Fragmentos, e outros artistas convidados de vários estilos. Nos dois primeiros concertos, dos cinco que Rui Afonso pretende realizar, participaram Zé Amaro, John and the Charmers, Hot Air Baloon e Let the Jam Roll.

Rui, quais são as tuas expectativas para 2021?

Não mudei muito do princípio da pandemia para agora. Não acredito em milagres, por isso não sei até que ponto isto vai avançar rápido. Acho que a história da vacina, em termos psicológicos, vai fazer muita diferença. Eu trabalho para fazer o North Music Festival, que é em maio, acredito que vamos fazê-lo. Mas se até março não sentirmos que podemos fazê-lo, aperta muito. E se aperta para nós em maio, aperta para os outros de junho e começa toda a gente a ter medo outra vez e já não se faz nada. Ou faz-se metade do que se ia fazer. 

“É muito mais importante aprender a viver com isso, do que não fazer nada”

Rui Afonso

Se continuarem a dizer que não se podem ter as pessoas todas, dez mil pessoas no espaço, que só poder ter cinco mil, nenhum promotor vai fazer. A questão é o lucro. Isto que eu fiz (O Homem Nunca Está Só) também tem o apoio do IMPACTA, deu-me essa liberdade, não tive que pensar no lucro. Pus os bilhetes à venda para pagar a sala, e o dinheiro que veio foi para pagar às pessoas. Qualquer promotor que esteja a fazer para ganhar o seu ou para pagar as despesas, não vai fazer por metade das pessoas, é impossível. Não vai haver NOS Alive para 15 mil pessoas, ou é para 40, ou não pode. Como é que pode com um cartaz daqueles?

Este projeto será uma forma de Guimarães despertar para os artistas locais? Com o desaparecer da pandemia podem esquecer-se dos artistas de Guimarães…

Eu acho que se estão a fazer coisas importantes. Mas neste segundo IMPACTA, para o primeiro semestre de 2021, não aparece quase nenhum de nós, dos que trabalhamos normalmente… No outro IMPACTA estavam muitos músicos. Se olharmos para o que passou num e o que passou noutro, eles dizem que entrou um júri, e puseram tudo na mão do júri, para não terem que justificar. Mas não passou sequer a mesma lógica de projetos. Não sei muito bem se isto é para continuar, mas sei que já houve muita gente que apresentou argumentos a dizer que não faz sentido nenhum o que agora foi feito. 

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Como é que vês estas medidas que foram adotadas pelo município de apoio aos artistas de Guimarães?

Temos aqui umas contradições muito estranhas em Guimarães. O nosso Presidente da Câmara deixou-se levar pelas redes sociais naquele evento do Multiusos (em setembro). Mas há gente lá dentro, na Câmara, que quer continuar a apoiar e que quer que as coisas aconteçam. Está como na rua. Há muita gente que está com muito mais receio do que outros, que querem continuar a tentar fazer com segurança. 

Custa-vos ver que em cidades aqui à volta haja espetáculos a acontecer e em Guimarães estejam muito restritos?

Restrito, mas não é uma novidade para nós. Na pandemia percebemos mais claramente. Mas Guimarães normalmente não é muito inovador, é uma cidade que deixa os outros fazerem e, se a coisa correr bem, também faz. Raramente vamos à frente. É uma lógica já muito antiga, em muitas coisas. Se nós olharmos para trás, na cultura e noutras coisas, seja nos pavimentos para os passeios, seja o que for. Se, entretanto, fizerem numa cidade, eles deixam fazer e erra-se menos. A lógica é essa. Se demorarmos mais tempo a fazer, estamos a cometer menos erros. Mas depois ficam coisas por fazer. E este caso, independentemente do IMPACTA, o apoio aos artistas é essencial não só pela pandemia, é essencial todos os anos. Há aqui muita contrainformação quando se fala na subsidiodependência dos artistas. A cultura é educação, a cultura defende todo o país, as cidades. Se não tivermos cultura, não vamos ter nada. Daqui a uns anos não há nada, somos todos comidos por lorpas.

Mas a pandemia veio trazer ao de cima as dificuldades dos artistas e as condições em que habitualmente já trabalham.

É um problema muito antigo, uma luta muito antiga. Tem a ver com o trabalhador informal, sermos sempre trabalhadores informais e não termos nenhuma espécie de certificado. Não é uma questão de sermos manguelas. Muitos países têm um cartão. Se uma pessoa é trabalhadora da cultura tem que cumprir certos trâmites legais, mas a partir daí é um trabalhador como os outros, e tem direito aos direitos que têm os outros trabalhadores. Aqui não. A pandemia só fez agravar essa questão, e a luta vai continuar nesse aspeto. 

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Tens a impressão, ou certeza, de que há pessoas na área da cultura que estão a passar por grandes dificuldades nesta altura?

Não conheço ninguém diretamente, mas sei que há. Conheço mais músicos que outras pessoas. A maior parte dos músicos que eu conheço também dão aulas. Se derem em escola, estão a fazer essa parte, pelo menos; se derem em casa, vão-se safando. Mas não tem comparação com o que era. Sou músico, mas o meu maior emprego é a produção de eventos. Ou seja, eu levei dos dois lados. 

Também há a questão de se estarem a reinventar, mas deixam de fazer aquilo que sempre fizeram e aquilo que gostam. Isto em termos mentais vai ter um impacto muito grande.

De certeza. Acho que vai. Eu, pessoalmente, ou como Fragmentos, nunca temos muitos concertos. Eu sei que, se os fizer, não é isso que me põe a comida na mesa. Mas temos muitos colegas, que trabalham com o Zé Amaro, por exemplo. Tiveram o Zé Amaro doente um ano e este ano apanharam uma pandemia. Ficaram dois anos sem trabalhar. E trabalhavam 100 concertos por ano, que é uma loucura. Estamos a falar de uma empresa que não faturou durante dois anos, mas há muitas situações iguais.

Voltando aO Homem Nunca Está Só, estando Guimarães incluído num quadrilátero, seria interessante este projeto que concretizaste aqui ser apresentado em Braga, Barcelos ou Famalicão.

A ideia é mesmo essa. Outros vão puxar outros. É só preciso arrancar. Há de certeza gente a pensar exatamente como eu. Aproveitar que muita gente, além de precisar, nem é do dinheiro, é de trabalhar, manter este lado artístico vivo, para que depois, quando isto retomar, as pessoas estejam ali. Não vão chegar com a força toda, com a ganância toda, de uma vez. É esse um dos meus medos. Isto de repente abre e vão ganhar os mesmos mais, os do costume, mas mais ainda. Que é uma das grandes probabilidades. A vontade do público em geral vai cair nos mesmos, como é natural, mas depois a repartição não existe. 

“Dizer que não vamos fazer nada é estar a matar a sociedade aos bocadinhos”

Rui Afonso

Estes são momentos que acabarão por ficar para a história deste período.

Essa foi a maior vitória disto tudo. Mal ensaiamos e as pessoas disseram “ainda bem que nos juntamos”. No final, muito mais ainda. As pessoas saíram mesmo de coração cheio, quem participou, seja os técnicos como os músicos. Toda a gente disse “foi mesmo fixe, isto tinha que acontecer mais vezes”. Compreendo que as vidas mudam muito, nesta altura, por um lado, foi mais fácil. Mas a verdade é, que se isto criar uma certa estrutura, tem pernas para andar. Tem é que se encontrar horários, que a pandemia também trouxe, que tem piada para projetos como este. Horários diferenciados, não é obrigatório ser sempre à noite, pode ser à tarde. Não interessa. Isto é um encontro de pessoas, tanto faz. Pode ser na rua, no parque da cidade, é uma questão de haver estrutura, não é preciso ser numa sala. Temos é que perceber que com este grupo de pessoas podemos fazer ali, podemos fazer no coreto, como podemos fazer no meio de um campo. É essa a lógica, tentar ir por aí, e tem pernas para andar.

Realizar mais quantos?

Eu queria três, pelo menos.

Mas os três durante este ano de 2021?

Queria dois no primeiro semestre, pelo menos. Vou fazer por isso. Se eu em março conseguir fazer o primeiro, é porque consigo fazer os outros. Depende do público, depende de apoio. Se não houver apoio tem que se ir buscar patrocínios, ou o que for. 

© João Bastos

Ainda há muito palco para pisar…

Havendo motivação, as coisas fazem-se. Em relação aos Fragmentos muitas vezes as pessoas perguntam quando sai uma música nova, um disco novo. Já tive a fase, quando era mais novo, de correr muito atrás, de vamos fazer, vamos fazer mais isto. Agora é o contrário. Agora tenho que ter um prazo na minha cabeça e “vou fazer aquilo ali”, como foi para este projeto. “É agora, se isto passar tenho o verão para pensar nisto, vou escolhendo as pessoas e falando com elas”. Não fiz exatamente o que queria fazer, porque a minha ideia era cada concerto ter dez ensaios antes, em que podemos estar como estamos aqui a falar, mas todos, numa sala de ensaios normal, que não deu para fazer com a pandemia. Há pessoas que só ensaiaram duas vezes, e as máscaras… É uma logística completamente diferente. Não há aquele encontro de cinco horas todos ali a falar. Vamos muito objetivos, temos aqui uma hora contigo, uma hora com aquele, porque a ideia era ser mais tempo, para saírem mais coisas de mistura. Conseguimos fazer alguma coisa, mas foi só para mostrar o que dali pode sair, daqueles artistas. 

Podemos recuar um bocadinho e falar um pouco do percurso. Portanto, nasces em Guimarães…

Em Guimarães. Nasci em frente ao estádio e morava aqui mesmo, no Centro Histórico, no largo do Serralho. 

O centro histórico que era muito diferente. Ainda te lembras como era?

Era diferente em todos os aspetos, não é só na parte estética. Ainda este Natal falei, às vezes tenho saudades do cheiro a estrugido a passar na rua de Santa Maria. Vinha da escola, passava, e o cheiro a comida dos vizinhos. Agora não se sente nada disso, é dos restaurantes. Aquela senhora da fruta, que está lá a vender fruta, a cozinha dela é sete metros à frente e ela está com a porta aberta a cozinhar e a vender fruta. Esse tipo de coisas faz falta. 

Para ti, um ponto fraco do centro histórico de Guimarães é agora ter poucos moradores?

É. Quando Guimarães passou a Património da Humanidade, um dos requisitos que lá está é ser habitado. Habitado por pessoas de cá. Não é Património museu para ver da rua, é Património vivo. 

Que opinião tens sobre o bairrismo vimaranense?

Trabalha muito contra nós. Acho que há uma colagem exageradíssima ao Vitória. Vimos no programa do César Mourão, só se falou do Vitória. Ou é porque o Afonso Henriques batia na mãe, ou é o Vitória. É a imagem que nós temos. A mim incomoda-me um bocado. Temos tantas coisas para mostrar e só mostramos isso? Eu sei que dá um certo gozo ter aquela imagem forte de que ninguém nos vai quebrar facilmente. Isso é espetacular. Mas isso somos nós e muita gente no Norte. Somos menos influenciáveis. Para bem e para o mal. A culpa muitas vezes nem é nossa, é de quem vem de fora que também nos conhece mal, só conhece certas coisas, e depois a partir daí alastra. É a lógica do “má mãe, boa madrasta”. Todas as terras são assim com os seus. Nesta, é verdade que com o bairrismo as pessoas favorecerem e dizem “isto é de Guimarães temos que dar aqui um empurrão”. É bom, mas não convém que seja isso o fundamento das coisas. Parece que se perde a noção do que se quer fazer.

© Joana Meneses

Perde-se sentido crítico?

Claro. Parece que o que acontece em Guimarães é o melhor do mundo, tem aquele selo. “Guimarães tem muitos defeitos, mas eu gosto é de Guimarães assim”, tudo bem, tranquilo. Mas há muito gente que nem vê defeitos, e acha que isto está mesmo espetacular. Se formos a ver desde sempre, das guerras com Braga… Mas é verdade que há muita gente a fazer força para que se mantenha assim. Se se mantiver assim é mais fácil de controlar, no fundo. Quantas menos pessoas meterem o bedelho com ideias de fora, mais fácil será controlar isto.

Como é que a música entra na tua vida?

Onde é o Histórico era o Conservatório de Música quando eu era miúdo. Eu morava aqui e, quando aquilo abriu, fui para lá, com seis anos de idade, por aí. Aprendi bandolim e depois guitarra. Depois, com 12 anos desisti, que é uma coisa que acontece muito hoje em dia, que é uma pena. Já falei com muitos professores de música sobre isso, que é a dificuldade que às vezes o ensino clássico tem em misturar algumas coisas para os miúdos perceberem outras músicas. Agora já há muitos professores a fazer isso, a ponte com outros estilos, e meter os miúdos no coro, assim obrigam-nos a ouvir outras músicas. Nessa chatice saí e fui tocar com a tuna. Fui para lá tocar com os velhotes, estava desgostoso com o resto. Depois comecei a escrever.

Qual foi a primeira música que acabaste de escrever, compor e achaste “esta música gosto dela a sério e acho que vai ser um sucesso”?

A Solidão, se calhar. A Solidão é muito antiga, deve ter sido escrita em 93, 94.

Estavas a passar por uma crise amorosa?

A história da Solidão é espetacular. Tinha 18 anos, por aí. A Solidão foi escrita como se fosse a olhar para o irmão mais velho, não tem nada a ver. A mão é de um irmão mais velho que se perdeu, não é da namorada. É essa a piada das coisas, cada um interpreta como quer. Quando escrevi era a olhar para uma relação de alguém mais velho, não era uma relação de amor [risos]. Cada um entende como entende e acho muito bem. Por isso tem piada.

No ano em que os Fragmentos fizeram o maior número de concertos, estamos a falar de quantos?

Não são muitos. Anos 90, logo a seguir abranda. Era quando se fazia concertos em todo o lado. Nessa altura devemos ter tocado muito, mas não é nada, nem 50, não acredito. 

Qual foi o palco que mais gostaste de pisar com os Fragmentos?

Há concertos que marcam muito. O concerto que gravamos ao vivo, no Vila Flor, nem é pelo palco, foi pela marca de gravar aquilo ao vivo, em 2007. Estávamos parados desde 99 e, no fundo, ali já só estava eu. Depois de muitas conversas, do fazer e não fazer, arranco com essa ideia de gravar o disco ao vivo. Mas há palcos mais pequenos muito bons também.

Percebeste que as pessoas não tinham esquecido as vossas músicas.

Exatamente. É essa a questão. Aliás, a durabilidade de Fragmentos tem muito mais a ver com as pessoas do que comigo. 

A história dos Fragmentos é aquilo que tu achas que podia ter sido?

Podia ter sido muito mais. Principalmente na metade dos anos 90, quando estamos para gravar o disco que ia sair a nível nacional… Se aquilo sai, a história tinha sido outra. Foi aí que nós nos separámos. Em estúdio quebrámos. Foi ali que eu acabei por ficar sozinho. Tanto é que eu decidi parar e depois estive para aí seis anos sem mexer em Fragmentos. Depois tive outro projeto, comecei a ganhar outro pedal. O disco ao vivo vem daí, de gravar as músicas que estavam para ser gravadas nesse disco, em 98. Se nós saímos naquela altura, a história tinha mudado quase de certeza, porque há gente que gosta e que não gosta, mas isso não quer dizer que não tinha espaço para existir. Eu percebi logo de seguida isso, que se perdeu logo ali o timing certo do salto. Depois, a partir daí, há uma certa desilusão durante algum tempo e depois há o que está feito e merece estar feito e cá fora, na mesma. É o contrário daquela ideia de gravar os discos para nós. Quando uma pessoa grava um disco e o põe cá fora, é para os outros. Nós já sabemos como é. Queremos é que os outros ouçam e cantem. 

És formado em…?

Turismo. Nunca trabalhei na área. Vou estagiar para a Capital da Cultura Porto 2001 e depois eventos, sempre eventos.

Foste aproveitado para a Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012?

Trabalhei, também, numa parte muito inicial. Trabalhei na área da comunidade. Entrei no fim de 2010. Saio a meio de 2012, não fico até ao fim. Infelizmente, não trabalhei como músico, por exemplo. Trabalhei como produtor, mas não como músico. 

© João Bastos

Como olhas para o ano de 2012?

É muito importante para a geração que estava aí nessa altura a florescer. Técnicos, músicos, atores, pintores, muita gente que eu vejo saiu daí.

“Em termos culturais a cidade evoluiu bastante”

Rui Afonso

Já passaram, entretanto, oito anos. Há algum balanço que possas fazer?

É parecido com a Capital da Cultura 2001. Só que aqui gastou-se muito menos dinheiro. Ainda assim, melhorou-se alguma coisa.

Ligou-se o motor da cidade?

Aqui acho que se manteve o que estava. Já tínhamos muita coisa feita, mas em termos de espaços pouca coisa mais tivemos. Nós já tínhamos Vila Flor, não sentimos o choque. Agora, o que é que ficou daquilo? É difícil. Muita gente vai dizer que ficou a abertura aqui do Toural, que ninguém passava. Faço às vezes essa pergunta: de que é que as pessoas se lembram mesmo de 2012? Lembram-se porque foi importante, a cidade estava sempre na boca do mundo e é importante isso? Em termos práticos, de artistas vimaranenses, há muita gente que não fez nada em 2012 para a Capital da Cultura. Tudo bem que Guimarães não era mais que ninguém, mas também isto chamava-se Guimarães Capital da Cultura. Não era preciso ser tudo mandado vir de fora. 

Em termos culturais como está Guimarães?

Acho que tem coisas muito melhores. Acho que os miúdos trabalham mais do que o que nós trabalhávamos. Nós éramos mais intuitivos, mais de coração. Os miúdos têm uma lógica de trabalho melhor, à partida. Têm outro defeito. Nós, como éramos mais intuitivos, uma banda como nós tinha que tocar dez ou 15 vezes em qualquer lado até achar se vale a pena ou não vale. Agora o processo é todo ao contrário. Gravam primeiro e depois é que vão fazer a banda e fazer o concerto. É raríssimo a banda sair dos concertos. Isso mudou muito. Em termos culturais a cidade evoluiu bastante. Agora, que se pode fazer muito mais com as pessoas que temos cá? Acho que se pode fazer muito mais. Às vezes parece que se tem vergonha de assumir, parece que se está a dar sempre aos mesmos, e não está. Se calhar connosco gastam dois mil euros e com alguém que vem aqui uma vez gastam 70 mil. Podem merecer, mas também estes merecem aqui mil euros, dois, cinco, dez, conforme o projeto, todos eles. 

Temos é que olhar para eles e perceber se aquilo é viável, se tem interesse, e não ser aquela lógica elitista, que às vezes o Vila Flor tem, de cultura. Isso acho um problema já desde quase da génese do Vila Flor, uma programação um bocado elitista, sempre foi, porque acham que está na moda, que é o que vai dar a seguir… Mas isso tem a ver com quem puseram lá a programar ao longo dos tempos, acontece muitas vezes isso. Há um distanciamento com a cidade, havendo apenas uma imagem boa do que aqui que passa. 

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