Grande órgão histórico afirma-se como Património Cultural de Guimarães
A Paróquia de Nossa Senhora da Oliveira apresentou o 2.º Ciclo de Concertos do Grande Órgão Histórico, reforçando a valorização do património musical, cultural e religioso de Guimarães através de uma programação internacional diversificada.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães
Depois de uma primeira edição marcada pela forte adesão do público, o novo ciclo surge com uma programação mais alargada, reunindo 15 concertos ao longo de 2026, com a participação de intérpretes nacionais e estrangeiros. O projeto mantém direção artística de José Carlos Azevedo, organista titular da Colegiada, responsável pela orientação musical do ciclo.
A iniciativa não só destaca o projeto pela qualidade artística, mas também pela capacidade de aproximar a comunidade de um dos mais importantes órgãos históricos do país.
O primeiro ciclo reuniu mais de um milhar de espectadores presencialmente e alcançou ainda milhares de pessoas através das plataformas digitais, números que demonstram o interesse crescente do público pela música sacra e pelo património histórico da cidade.
O maior órgão histórico do norte
O grande órgão da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira é considerado o maior órgão histórico do Norte de Portugal e um dos mais relevantes da Península Ibérica. Construído entre 1831 e 1839 por Luís António de Carvalho Guimarães e concluído por José António da Cruz, o instrumento possui atualmente 51 meios registos e mais de dois mil tubos sonoros. O órgão foi alvo de um profundo processo de restauro entre 2011 e 2013, recuperando as suas características originais e consolidando-se como uma peça central da vida litúrgica e cultural da igreja.
Além da imponência visual, o instrumento destaca-se pela riqueza tímbrica e pela importância histórica, assumindo-se hoje como um dos principais símbolos do património musical sacro de Guimarães.
Missa em Si menor’ de Bach marca o ponto alto da temporada musical
A programação deste segundo ciclo inclui diferentes formatos musicais, desde recitais de órgão a solo a concertos corais e grandes formações com coro e orquestra, procurando oferecer experiências diversificadas e acessíveis a diferentes públicos.
Entre os momentos centrais da temporada destaca-se a interpretação da “Missa em Si menor”, de Johann Sebastian Bach, agendada para 25 de junho, integrada nas comemorações do Dia Um de Portugal e do Município de Guimarães. A obra será dirigida pelo maestro Fernando Miguel Jalôto e interpretada pelo Ludovice Ensemble e pela Academia Ludovice 2026, numa produção que reunirá dezenas de músicos especializados em interpretação historicamente informada.
Fernando Miguel Jalôto descreveu a composição como uma das obras maiores da música ocidental, classificando-a como uma criação “incontornável” da história da música. O maestro sublinhou ainda a dimensão artística e logística do espetáculo, que contará com instrumentos históricos e réplicas rigorosas do século XVIII, numa tentativa de recriar a sonoridade original idealizada por Bach. O concerto envolverá cerca de 40 músicos em palco, vários dias de ensaio e uma complexa operação logística, incluindo instrumentos históricos provenientes de Espanha e músicos portugueses, espanhóis, polacos e ingleses. Entre os intérpretes estarão também nomes de prestígio internacional, como Fernando Guimarães, nomeado para um Grammy na área da música clássica, e a mezzosoprano Ana Quintans, que integra produções da Ópera de Paris.
O maestro destacou ainda o envolvimento de várias entidades culturais e académicas na concretização do espetáculo, considerando que este concerto representa um marco não apenas para a paróquia, mas também para a projeção cultural de Guimarães a nível nacional e internacional.
O concerto de 25 de junho assume também um simbolismo especial por integrar o percurso de preparação para as comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede, previstas para 2028. O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, salientou a importância da iniciativa enquanto instrumento de valorização do património local e da afirmação cultural da cidade, defendendo uma programação artística ligada à identidade histórica vimaranense. O autarca revelou ainda que o Município apoia o ciclo de concertos com um financiamento de 15 mil euros.
Além do concerto de junho, o programa inclui ainda o concerto “Iberia Resonans”, no próximo dia 16 de maio, com a organista Yudania Heredia e o Coro de Câmara da Universidade do Minho, vários concertos em honra de Nossa Senhora da Oliveira ao longo de agosto, o recital “As 7 Últimas Palavras de Cristo na Cruz”, de Joseph Haydn, em setembro, interpretado por Fernando Miguel Jalôto, e as VII Jornadas “Lumen ad Revelationem Gentium”, em dezembro.
Todos os concertos terão entrada gratuita. Ainda assim, será promovida uma vertente solidária, futuramente, através de contributos voluntários destinados ao Patronato de Nossa Senhora da Oliveira, instituição cujo creche está atualmente em processo de ampliação e requalificação.





