Estreia nacional de “Surdina”, novo filme de Rodrigo Areias, esgotou Cinema Trindade

© Cinema Trindade

“Surdina”, o novo filme do realizador vimaranense Rodrigo Areias, escrito por Valter Hugo Mãe, estreou esta segunda-feira no Porto, no Cinema Trindade. Recorde-se que o filme foi totalmente rodado em Guimarães.

No dia em que as salas de cinema voltaram a abrir, na terceira fase de desconfinamento, o Cinema Trindade abriu portas com a ante-estreia do filme e com a presença do realizador Rodrigo Areias e equipa do filme. “Ontem foi muito bonito regressar ao Cinema Trindade. Sessões esgotadas, mas com muito espaço entre as pessoas. Tudo organizado e seguro.
Foi bonito”, escreve o realizador vimaranense nas redes sociais.

Ainda antes da estreia do filme, Rodrigo Areias contava ao Mais Guimarães que “Surdina” é uma tragicomédia, inteiramente rodada em Guimarães, assumindo que é em Guimarães. “É, de certa forma, uma história de amor”, explicava, no qual os personagens têm cerca de 60 anos. “Tem a ver com a vida nestes meios pequenos, a vida com os vizinhos, com a relação que tem muito do excesso de proximidade. De alguma forma, explora como é que vivemos todos em comunidades pequenas, em que não vivemos no anonimato, em que a nossa vida é uma coisa mais ou menos pública e mais ou menos privada”, resumia. A designação Surdina foi uma proposta do Valter “que tem precisamente que ver com o que se diz entre dentes, o que se diz em voz alta e o que se diz em voz baixa entre as pessoas”, desvendava, na altura, Rodrigo Areias.

Toda a família de Valter Hugo Mãe é de Guimarães, especificamente de São Cristóvão de Selho, apesar de o escritor ter nascido em Angola. Nesse sentido, o filme explora precisamente o universo entre o centro da cidade e São Cristóvão de Selho. “Quando decidimos fazer um projeto juntos o Valter esteve cá [em Guimarães] comigo, a dar umas voltas no centro histórico e a visitar casas de uma série de pessoas com as quais tenho relação. Fui também com ele a São Cristóvão e conhecer aquilo que é a sua origem familiar. Na junção destes dois ambientes, ele decidiu escrever um filme”, explicou.

O filme teve estreia mundial em outubro, na 43.ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Brasil, e, de acordo com Rodrigo Areias, “correu muito bem”. “A reação foi muito emotiva, porque o filme também se presta a isso”, apontou. “Por outro lado, o Valter é uma vedeta literária lá, por isso contámos com salas sempre cheias”, recorda. Entretanto, o filme também foi exibido em Itália e Índia. Para Portugal, a estreia estava prevista para 16 de abril de 2020, com a pandemia mundial a atrasar a data.

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