“A mecânica aqui põe-se de parte”. Crianças acompanham Dia do Vinho na Festa das Colheitas

Quase duas centenas de crianças tiveram, esta sexta-feira, a sua primeira experiência com as vindimas.

festa das colheitas com barra

Correria, gritos de folia e muitas gargalhadas. Quase duas centenas de crianças tiveram, esta sexta-feira, a sua primeira experiência com as vindimas.

Várias salas, de vários infantários e escolas de São Torcato, visitaram uma das quintas localizadas junto ao terreiro de São Torcato, para observarem as colheitas, naquele que foi o Dia do Vinho.

© Mais Guimarães

Trata-se do primeiro de três dias da Festa das Colheiras. Até 16 de outubro, a vila de São Torcato volta, uma vez mais, a honrar a mesma tradição que iniciou há 22 anos. A Feira das Colheitas chegou, por aquela altura, para unir os mais velhos e os mais novos em torno das atividades agrícolas, das vindimas, do fabrico do pão, do vinho doce, não esquecendo a devoção ao Senhor.

Para Diana Ribeiro, educadora no Centro Social e Paroquial De São Dâmaso, as atividades do Dia do Vinho representam “a possibilidade de as crianças contactarem com a cultura e com as nossas tradições”, com a vantagem que “estão a acompanhar todo o processo ao vivo”.

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Mexer na terra, correr no campo, conhecer a natureza coloca “todos os sentidos em ação” e é também por este motivo que, sempre que possível, repetem anualmente esta visita.

“Eles adoram um dia fora da sala. É algo diferente e nota-se logo neles que ficam deslumbrados”, acrescentou.

Também Armanda Linhares, coordenadora do infantário, elevou a iniciativa organizada pelo Grupo Folclórico de São Torcato. Assumindo que “tem tudo de bom”, destaca “o convívio, a alegria e a natureza” que “já começa a ser tradição”.

“Apesar de muitas já terem vivenciado com as suas famílias, todos ficam muito felizes estar cá. Sobretudo porque estão com os amigos e as vivências são outras”, adiantou ao Mais Guimarães Amália Matos, da Escola de São Torcato.

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“A mecânica aqui põe-se de parte”

Maria Ferreira, do Grupo Folclórico de São Torcato, acompanha a Festa das Colheitas desde a sua primeira edição. Ao Mais Guimarães, falou sobre a importância de manter vivas as tradições daquela que se afirma como uma das maiores festas tradicionais de Guimarães.

“A mecânica aqui põe-se de parte. Se olharmos à nossa volta vemos as donas, os homens a colher as uvas, tal como se fazia antigamente, no tempo da minha avó e bisavó”, começou por contar, acrescentando que a manhã ainda reservava biscoitos tradicionais de limão e broa de milho, cozida no terreiro de São Torcato.

Destacando que “as festividades religiosas relacionadas com a Festa das Colheitas sempre existiram nesta altura do ano”, Maria Ferreira explica que o principal objetivo era “agradecer ao Senhor por tudo o que a terra dava”. “Isso ainda funciona hoje, uma vez que os lavradores continuam a dar ao Senhor aquilo que a quinta produziu”.

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Mas o dia começa cedo e acaba tarde com a pisada das uvas e a matança do porco. Depois do jantar, entram no largar para pisar as uvas ao som das concertinas, danças, e de alguns copos de vinho.

Também conhecido como Dia do Pão, o segundo dia de festa (sábado), contempla um almoço tradicional, com a venda dos habituais bolinhos de bacalhau e pataniscas.

Durante a tarde, estão de regresso ao campo para colher o milho, que será despejado no terreiro de São Torcato. A comunidade é convidada a desfolhá-lo e a encontrar a espiga rei, também conhecida como a espiga vermelha.

O domingo, Dia do Senhor, é marcado por uma missa campal, com início pelas 10h30.

Mais tarde, pelas 13h00, abre-se o lagar do vinho doce, que é um dos pontos altos das festividades. “É dado ao público o vinho a beber e a festa continua”, até porque ainda haverá espaço para “um leilão de prendas que as pessoas da freguesia queiram dar ao Senhor, que reverterá para a igreja”.

Este ano, há uma novidade a apresentar. A crescente preocupação com a temática ambiental levou a que optassem pela utilização de copos reutilizáveis, cedidos pela Junta de Freguesia, com imagens alusivas a São Torcato.

Assim sendo, “as pessoas podem circular a tarde inteira com o mesmo copo e bebem o vinho doce que quiserem”, disse, em tom de brincadeira, acrescentando que “às vezes, o vinho nem sempre está tão doce como o previsto”.

© Mais Guimarães
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