A POLÍTICA DE SALTOS ALTOS

por ÂNGELA OLIVEIRA
Advogada

Paulo Portas anunciou que não se recandidatará a líder do CDS no próximo congresso do partido. Um grande líder que percebeu o momento de deixar o partido seguir outros rumos. Saber ler a realidade não é para todos e mais uma vez Paulo Portas dá mostras da sua sagacidade.

O grande desafio assenta agora na capacidade que o CDS terá para se regenerar, renovar e atualizar, para poder crescer revigorado, o próprio Paulo Portas refere que a sua decisão “ deverá permitir ao CDS renovar a sua liderança, reposicionar a sua estratégia, recomeçar a sua luta, reflectir num novo projecto e numa nova agenda”.

Assunção Cristas é, até ao momento, a única que se propõe tomar as rédeas da liderança do CDS, mostrando já com grande determinação e frontalidade que não receia o desafio, contando já com o apoio expresso de Nuno Melo que explicou já o porquê de não se apresentar também ele como candidato. Nós somos as nossas circunstâncias, e neste momento as circunstâncias de Assunção Cristas mostram-se mais alinhadas à liderança do CDS.

Não será certamente pela circunstância do género que faz de Assunção Cristas uma alternativa que me entusiasma enquanto mulher de direita. Já são muitas, e ainda bem, as mulheres que, à direita e à esquerda, assumem o seu papel de mulheres na política sem complexos feministas ou machistas.

O facto Assunção Cristas assumir uma vida para além da política, de ter conquistado o seu lugar sem fazer carreirismo político, de conseguir conciliar a vida profissional, política e familiar revelam muito da sua inteligência, da sua capacidade de organização e de liderança, características essenciais para quem valoriza o trabalho e o mérito.

Além disso, enquanto ex- Ministra da Agricultura, a candidata à liderança do CDS, demonstrou a sua grande capacidade na governação. Os números que deixou quer quanto à atribuição dos fundos comunitários aos agricultores, quer quanto ao índice de exportações na agricultura são apenas exemplo disso mesmo.

Aliás, reparei que nem a oposição de esquerda lhe consegue abalar estes atributos, o que, definitivamente é um indicador importante.

Estas são as caraterísticas que a (ao que tudo indica) esperada nova líder já tem. O que eu espero da nova liderança, é a capacidade de fazer do CDS um grande partido de centro direita, levando o CDS a ocupar o lugar à direita que lhe pertence.

Portugal ao contrário do resto da Europa, não tem um partido centro direita forte, e isso deve-se aos mitos criados pela esquerda portuguesa que faz assentar no 25 de Abril de 1974 a sua legitimidade democrática. Apesar de cada vez menos gente se identificar com esta retórica do logro da esquerda, importa ainda assim dissipar definitivamente a ligação que esta pretende fazer da política de direita ao fascismo. O CDS sempre manteve um lugar importante na nossa recente democracia, mas certamente não atingiu todo o seu potencial.

O novo paradigma político obriga a um novo posicionamento do CDS. Se já não governa quem ganha, mas quem consegue a maior aliança política, o CDS já não tem de sofrer o peso do voto útil. Esta reflexão interna que se impõe no CDS no próximo Congresso é uma reflexão ideológica, mas mais ainda, uma reflexão da nova estratégia. Para já a estratégia é #unidosparacrescer. Começamos bem.

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