A realidade, que chega aos poucos

Por Eliseu Sampaio.

Assim, aos poucos, acolhemos no nosso novo quotidiano novos vocábulos: Mitigação, isolamento, pandemia, quarentena, desconfinamento, epi`s ou zaragatoas ocupam agora as primeiras páginas do novo dicionário. E porque, por estes dias não falamos de outra coisa, também nas conversas que temos estão-nos, literalmente, na ponta da língua.

A língua é uma coisa espantosa, algo que está em constante transformação, adaptando-se rapidamente a novas realidades.

Ao dicionário acrescentaremos novas páginas em breve, porque a transformação brutal que vivemos assim o exigirá. Continuaremos, no entanto, em notas baixas, tristes, porque do que falaremos e escreveremos nos próximos tempos não será melhor do que o que falamos agora ou escrevemos nestes últimos três meses. Para além dos problemas de transmissão do vírus, do número de infetados, de isolamentos, de internamentos e mortes devido à covid-19, acrescentaremos notas relativas aos fortes impactos na nossa economia e, por consequência, na nossa sociedade, que já se sentem, mas cujos efeitos se acentuarão rapidamente.

Teremos consciência nas próximas semanas de um aumento muito significativo do desemprego, da quebra de confiança dos consumidores e do consequente receio no investimento e de um aumento do preço dos produtos, sobretudo os primários, os mais procurados. A lei da oferta e da procura nunca falha.

Iniciamos o desconfinamento, processo que, pelo calendário, estará praticamente encerrado no início de junho, embora para quem puder manter-se em casa, o isolamento, sendo mais voluntário e com menor rigidez, continuará a ser a melhor opção. O desconfinamento dá-se agora, já o regresso à tão desejada normalidade, tendo como referência a vida que tínhamos em fevereiro, ninguém sabe quando acontecerá.

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