ACREDITO NA PAZ

por Samuel Vilas Boas

Paróco

Estando aqui tão perto do Castelo de Guimarães, fui fazer a passagem de ano até à beira mar, à vila de Apúlia, minha terra natal. Tinha a intenção de tirar o casaquinho, mas… faltou-me a ousadia do Presidente da República que se atirou ao primeiro mergulho do ano! Ano novo, vida nova! Somos um povo plantado à beira-mar e, neste meu primeiro dia do ano, penso na importância de colocar os braços ao leme, apontar a bússola ao norte e dar novo rumo à vida! É preciso fazer subir ou descer a âncora em determinadas ocasiões da vida! E porque quem arrisca não petisca, quero gravar estas palavras no coração e na memória, para que as ondas do mar não as apaguem quando escritas em areia.

A palavra-chave que escolhi para este ano 2017 é a PAZ. Palavra pequena, com três letras, mas cheia de significado para a vida do mundo.

A primeira letra (P), quero defini-la com a figura do Papa Francisco. Para mim, continua a ser uma bênção para a Igreja e para o Mundo. A Mensagem da Paz que o Papa Francisco lançou a 1 de Janeiro de 2017 sob o tema: “A não-violência: estilo de uma política para a paz”, traz-nos um ramalhete de desafios para um mundo dilacerado pela violência. Esta mensagem salienta a urgência de a não-violência se tornar um estilo caraterístico nos relacionamentos e nas ações económico-políticas. Por isso, o Bispo vestido de branco, refere ainda que a magna carta da não-violência cristã consiste em reverter a lógica da espiral do mal. Assim, a não-violência deve ser entendida como ação criativa, exigindo o máximo em penho e coragem. E, são tantos os exemplos de combatentes: Gandhi na libertação da Índia, Luther King contra a discriminação racial nos Estados Unidos, João Paulo II e outros na queda do comunismo.

Mas olhando para o mundo, nesta “guerra mundial aos pedaços”, como define o Papa Francisco, não podemos ficar indiferentes aos cenários de guerras, aos refugiados que chegam à Europa. Mas também, nos devemos comprometer pela irradicação de todas as formas de violência doméstica, os abusos sobre mulheres e crianças, que também assolam a sociedade portuguesa.

Como cristão, olho a pessoa de Jesus Cristo que também viveu em tempos de violência. Mas ensinou-nos, como referem os Evangelhos, que é no coração humano onde se decide a opção preferencial pela paz e pela concórdia.

A segunda letra (A), quero defini-la com uma atitude: alegria. Quando chego ao Altar, no momento em que presido à Missa, gosto de olhar os rostos das pessoas e ver que todos andamos constantemente em busca da alegria. Alegria da família, club, emprego, amigos, saúde, euromilhões, etc… são tónicos para recuperar a beleza da vida. Contudo, quero fazer votos para que todos os dias do ano haja um refrescar da alegria na vida contemplativa. A alegria de se deixar maravilhar pelo milagre da vida, do verde da floresta, do encanto dos pássaros, da brisa ou do calor, como um hino à beleza da criação. Tenho de ser parte, na capital da alegria, de ter gosto profundo pela vida. E na minha leitura, gosto de louvar e agradecer o ato da criação, no meio de um mundo em constante aceleração digital.

E por último, na letra final (Z), quero ser envolvido pela missão de zelador, como alguém depositário do dom da Paz. Neste ano em que António Guterres (Nações Unidas) nos pede um ano para a Paz, em que o Papa Francisco visitará o Santuário de Fátima, lembro sempre que a ousadia de ser Zelador da Paz, nos permite olhar a história de 1917, e ver que é a pomba que vence a ave de rapina, quando acreditamos nos valores e no esforço por tentar tudo fazer bem.

Acredito na Paz.

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