Afinal, talvez sejamos um país de incompetentes

Por Eliseu Sampaio.

O modo como está a ser gerida esta pandemia está a provocar-me um mal-estar descomunal. Uma tendência para sentir nuns dias náuseas, noutros tonturas, desequilíbrios persistentes. Sintomas de quem procura, sem sucesso, perceber coerência nas decisões e um sentido na orientação.

Faz-me uma enorme confusão que esta gestão esteja a ser feita com maior sentido político que sanitário e económico, embora veja isto tudo embrulhado, literalmente.

Na gestão da saúde pública, como já aqui escrevi há umas 3 semanas, não dá para perceber como não foram estabelecidas em tempo útil parcerias entre o Serviço Nacional de Saúde e o setor privado, encaminhando para os segundos doentes que careçam de cuidados não-covid e que estão em sofrimento por falta ou por assistência deficiente. Não é de compreensão fácil que questões ideológicas se sobreponham às racionais em momentos destes. Em tempo de guerra, meus caros, não se limpam armas. Uma frase que só alguns compreenderão.

Sobre o impacto da pandemia na enonomia, na economia real, na que coloca pão em cima das mesas das famílias, têm sido adotadas medidas que não se compreendem também, como esta de recolhimento obrigatório aos sábados e domingos a partir das 13h00. Eu bem tento compreendê-la, mas não dá. Talvez seja um problema só meu.

Numa fase em que os pequenos empresários, dos setores do comércio, da restauração e hotelaria, ou de diversos serviços, tentam encontrar luz no fundo do túnel, respirar fundo (dizer um palavrão e um vamos lá!) verão nesta medida um derradeiro incentivo para desistirem.

Há, neste país, e eu quero acreditar, gente muito competente. Gente que sabe. Homens e Mulheres das áreas da saúde, da economia ou do direito, que estarão disponíveis para contribuírem e fazerem com que os portugueses sofram um pouco menos neste momento, e neles cresça um rasgo de esperança. E é nas coisas simples que a encontrarão, a esperança em dias melhores. Na coerência, por exemplo.

Com ziguezagues e medidas avulso, que têm chegado quase sempre tarde, ao sabor dos números, da opinião pública ou de algum descontentamento, deste ou daquele setor, não nos safamos de mergulhar no desastre de que nos aproximamos em passo de corrida.

Se não mudarmos, no final disto tudo, concluiremos que, afinal, talvez sejamos um país de incompetentes.

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