ANTÓNIO PINTO DE MESQUITA

Nome completo

António Pinto de Mesquita

Nascimento

13 de maio de 1917

Porto

Profissão

Embaixador

Nasceu a 13 de maio de 1917, no Porto, no mesmo dia em que os três pastorinhos afirmaram ter visto Nossa Senhora, na Cova da Iria. “Sou tripeiro”, diz baixinho, agora que a força para projetar a voz já lhe vai faltando. Essa naturalidade portuense havia de lhe valer mais tarde, quando já estava na carreira diplomática, em 1957, a indicação para acompanhar a visita da rainha de Inglaterra, na visita que ela fez ao Porto. Acabou por ser condecorado pela rainha. “Uma coisa da praxe” – diz com alguma modéstia, desvalorizando a horaria. Uma pneumonia impediu-o de ir a celebração do centésimo aniversário das aparições, que seria também o seu aniversário. Estava prevista uma viagem de helicóptero até Fátima, mas a fragilidade do embaixador fez com que a família optasse por uma festa mais recatada, na Quinta de Sezim. Ainda assim, foi celebrada missa na capela da Casa de Sezim e foi-lhe entregue uma bênção apostólica do papa Francisco. Esta bênção tem muito significado na vida de um homem que sempre se afirmou católico, mesmo quando passou por países onde os católicos estavam em clara minoria e lembra as missões em representação de Portugal, por exemplo na Turquia. Os pais habituaram-no a visitar o santuário de Fátima no dia do seu aniversário e manteve essa tradição ao longo da vida. Quando deixou de ir com os seus pais passou a levar a sua esposa e mais tarde também os filhos. “A primeira vez que fui teria cerca de 12 anos”, diz o embaixador. Aos 100 anos ainda se lhe vislumbra uma faísca no olhar. Demora a responder, porque a idade pesa, mas também porque não lhe serve qualquer reposta. Quando finalmente fala, fá-lo com uma argúcia que não denuncia a idade. Pressionado para contar uma história que envolvia bailarinas na Turquia, não se deixou entusiasmar. Afinal o jornalista estava ali há poucos minutos, não se ia por com intimidades. Escolheu outra história divertida, mas mais adequada ao momento. Passou-se quando estava em Washington, era o Truman (o que lançou as bombas atómicas) presidente dos EUA. Um responsável de protocolo à entrada do presidente cometeu o lapso de apresentar o embaixador como presidente da República de Portugal. E esclareceu o erro? “Não! Ficou assim”, afirma com um riso malandro, quase juvenil.

Estudou direito, mas não via futuro no Ministério Público, por isso, concorreu ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Acabou por casar com a profissão, na medida em que aquela que foi a sua companheira de toda a vida, e mãe dos seus filhos, era filha de um diplomata. Os filhos foram nascendo pelo mundo fora e reconhece que isso foi uma das dificuldades que teve de enfrentar com a esposa. Adorou o Brasil, país que coloca no topo da lista dos países por onde passou, e foram muitos, “pela amizade que têm para com os portugueses”. Teve uma vida agitada a viajar pelo mundo em representação de Portugal. Uma história onde não faltam atentados bombistas e motoristas assassinados, com quando chegou à Turquia e se viu sozinho no aeroporto, porque a cidade estava em convulsão e a pessoa indicada para o ir buscar foi assassinado. Quando chegou ao gabinete que devia ocupar, tinha ido tudo pelos ares. Obra da oposição ao regime? “Deve ter sido”, acena com a cabeça afirmativamente, como quem não dá muita importância a uma bomba. Antes de os anos da calma chegarem já devia ser um homem calmo. É como um homem despreocupado que os mais próximos o caracterizam. Um homem que via no dinheiro um meio e não um fim. A Casa de Sezim e o recato da família que o envolve no quotidiano preenchem-lhe agora os dias, a caminho dos 101 anos, em março próximo.

Por: Rui Dias

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