AO VIRAR DA ESQUINA

por MARCELA MAIA
Técnica de relações internacionais na Universidade do Minho

Já lá vai um ano desde que escrevi sobre “o último mês do ano” 2015 e de repente, o Natal 2016 e o novo ano de 2017 estão já aí ao virar da esquina.

Em mais uma época natalícia os nossos corações deixam-se contagiar pela alegria de ver os rostos dos que nos são queridos, pelas músicas que ecoam nas ruas, pelas luzes que fazem iluminar as nossas noites, pelo cheiro dos doces típicos, enfim, pelo ambiente mágico que nos envolve.

No hiato temporal que vai desde o “Natal dos Hospitais” até ao soar das doze badaladas, reunimo-nos frequentemente com a nossa consciência e analisamos o ano que chega ao fim pensando no que fizemos e no que deixamos por fazer – adiando o que não fizemos para o próximo ano, esperando sempre que o ano que se avizinha seja melhor que o anterior.

Durante essa reflexão, ao pensarmos nos nossos desejos para o ano presente, é possível que nos sintamos insatisfeitos porque o que idealizávamos no inicio do ano não corresponde ao que temos agora, mas entre o balanço dos prós e dos contras havemos de encontrar alguma surpresa agradável que nos visitou ao longo da nossa caminhada por 2016 – seja algum sucesso pessoal, profissional ou até mesmo a felicidade de termos alguém novo na nossa vida.

O ano de 2016 mostrou-se, como tantos outros, repleto de acontecimentos marcantes. Acontecimentos internacionais com repercussões nacionais, acontecimentos nacionais que não saíram da sua própria esfera, mas também acontecimentos nacionais que tiveram visibilidade internacional – estivemos nas bocas do mundo e quase sempre por boas razões.

Este foi o ano em que fomos campeões europeus. Fomos duplamente campões europeus de futebol e Fernando Pimenta sagrou-se campeão europeu em k1 1000 nos europeus de canoagem que decorreram na Rússia. Para além do desporto, a curta metragem portuguesa “Balada de um Batráquio” de Leonor Teles ganhou um prémio europeu de renome – o urso de ouro – em Berlim. Passando para uma escala ainda mais global, António Guterres foi eleito como secretário geral da Organização das Nações Unidas – e que feito este.

Num ano de migrações, de desunião europeia – onde uma Europa dividida fechou fronteiras aos que migraram – e de uns Estados Unidos que pareceram querer acusar a sua desunião ao elegerem Donald Trump para seu presidente, a luz ao fundo do túnel surge sob a forma de António Guterres.

Parece tão irrisório desejar a paz mundial – por sabermos que a mesma não será nunca real enquanto o homem existir – no entanto, não vejo outra altura do ano mais apropriada para desejar que isso aconteça. Assim, desejo que 2017 seja um ano onde o medo e o terror não imperem. Sem bombardeamentos e atentados. Que todas as pessoas e todos os animais tenham um teto a cobrir as suas cabeças. Que ninguém fique sozinho a não ser por opção. Que as pessoas não tenham que (con)viver com um sofrimento imensurável. Que a morte não seja nunca uma melhor alternativa à vida.

Da minha parte, neste espaço que aqui me toca, despeço-me até 2017 desejando a todos os leitores do jornal Mais Guimarães uma época festiva verdadeiramente feliz, farta em saúde, sorrisos e calor humano.

 

 

 

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