AS NOSSAS PAISAGENS…

por  Carlos Coimbra

Presidente da Junta de Freguesia da Costa

Foi com enorme prazer e satisfação que aceitei o desafio do “Mais Guimarães”, para me pronunciar sobre um tema que me assolasse o pensamento, e claro que a escolha foi fácil, a crónica teria que ser sobre algo que me é tão caro: a Costa.

Numa Freguesia tão rica como a nossa, cingir-me a um único tema foi mais desafiante do que o próprio convite, mas com a moldura verde que nos envolve, seria injusto que este artigo não falasse sobre a Montanha da Penha, mais concretamente, a encosta que preenche a nossa Freguesia. Isto, num momento em que tudo aponta para uma nova candidatura do município a Capital Verde Europeia em 2021!

Foi com o mesmo prazer e satisfação que li sobre “a criação da paisagem protegida de Guimarães à Penha”, classificação essa, a cargo da estrutura da Candidatura de Guimarães a Capital Verde, da Irmandade da Penha, do Laboratório da Paisagem e da Universidade do Minho, ressalvando aqui um amargo de boca por não termos sido (Junta de Freguesia de Costa) consultados. Mas, neste caso, o mais importante é o fim e não os amargos dos meandros!

Prazer e satisfação por saber que com “a criação da paisagem protegida”, a contínua descaracterização da nossa paisagem natural, fruto da febre da construção pela qual fomos invadidos, alguma até de gosto duvidoso, poderá ter um fim, ou na pior das hipóteses novas avaliações.

Prazer e satisfação por saber que a cumplicidade que outrora existiu entre a cidade e a Montanha será uma realidade e não, como nós temia-mos, uma miragem. Por momentos vislumbrei a nossa encosta repleta de betão e vidro onde o verde perderia todo o fulgor e o cinzento imperasse!

A constante procura da encosta para criar as suas habitações, gera em mim, enquanto presidente da Junta de Freguesia de Costa, uma dualidade de sentimentos que às vezes se misturam. Se por um lado fico orgulhoso e envaidecido por tantos acharem que a nossa encosta fornece todas as condições para construírem os seus lares, perpetuarem as suas famílias, criarem os seus filhos… por outro preocupa-me o futuro da nossa paisagem e de todo o seu ecossistema.

É por tudo isto que este plano de ação tutelado pela Câmara Municipal de Guimarães, no qual pondera adquirir terrenos com vista a criar continuidade entre a cidade e a montanha, vem preencher um vazio e uma necessidade emergente na nossa encosta.

Distante de um discurso negativista, reafirmo que a cidade pode e deve crescer na área da nossa freguesia, mas com particular atenção à distinta e maravilhosa paisagem que nos caracteriza. Isto, numa altura em que fruto da pretensão do município em ser Capital Verde Europeia, os nossos cidadãos estão cada vez mais conscienciosos, atentos e preocupados com o meio ambiente.

Agradecemos a envolvência da cidade neste desígnio contínuo que é a preservação da paisagem natural da nossa montanha, pois apesar da sua localização geográfica ser maioritariamente na Freguesia da Costa, a Penha não é só nossa a Penha é de todos os vimaranenses.

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