As três questões de Kant

Por Eliseu Sampaio.

O que eu posso saber? O que eu devo fazer? E o que eu posso esperar?

Na procura de respostas a estas três questões existenciais, Immanuel Kant, importante filósofo alemão (1724-1804), dedicou três livros particulares: Crítica da Razão Pura, Crítica da Razão Prática e Crítica da Faculdade de Julgar.

Segundo o filósofo, o conhecimento não é mero reflexo dos objetos, ele parte do sujeito, da mente humana que produz a imagem das coisas e as organiza para explicar o universo.

Há turbulência dos dias que vivemos. Nestes dias de pandemia há incerteza que nos afeta a lucidez e traz emoção à flor da pele instigada por uma ansiedade brutal. Procuramos respostas e encontramos apenas questões que nos caem em catadupa no colo, a um ritmo frenético, são notas que nos escorregam das mãos, nos fogem do controlo, em absoluto.

Respiremos, acalmemos a alma.

São perigosos estes dias, pelo surto que tende a intensificar-se, e pelas consequências paralelas desta pandemia que já mudou as nossas vidas.

Relativamente a questões sanitárias, no momento em que passam seis meses do início da pandemia, acompanhamos uma redução atroz dos serviços de saúde prestados aos cidadãos, com consequências já notórias, como o aumento da mortalidade em Portugal, não Covid-19 (mais seis mil mortos nos últimos seis meses em relação a 2019).

Outras sequelas ficarão nos cidadãos, como as de foro psicológico, com problemas que se agravarão nos próximos tempos resultando também dos efeitos económicos de uma crise anunciada mas ainda não sentida. E sequelas políticas também.

Os próximos tempos serão difíceis, exigentes, mas não percamos “o norte”, o discernimento e a esperança.

Já dizia Kant: “Como o caminho terreno está semeado de espinhos, Deus deu ao homem três dons: o sorriso, o sonho e a esperança.”

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