ASSUNÇÃO CRISTAS ESTEVE EM GUIMARÃES A FALAR SOBRE NATALIDADE

A líder do CDS esteve em Guimarães, na quinta-feira, dia 18, no Hotel Guimarães, em mais uma conferência “Ouvir Portugal”, à volta do tema da natalidade. Presente esteva também o eurodeputado e líder da distrital dos centristas, Nuno Melo.  Os especialistas convidados foram os professores João Duque (ISEG) e Pedro Campos (FEUP).

Além dos dois professores universitários também falaram, para uma sala repleta, Adelino Mendes, pai de seis filhos, Natália Beck, emigrante vinda da Ucrânia, e José Couceiro da Costa, que além de falar em nome da realidade local, falou do apoio que as IPSS podem dar, nesta tarefa de aumentar a natalidade.

José Couceiro da Costa, militante do PSD, começou por lembrar aquilo que lhe devem os centristas: “quatro filhos dos quais três são militantes do CDS”, dissse em jeito de graça. Em tom mais sério lembrou, na conferência de um partido conservador, que é preciso “rejeitar o conservadorismo e restaurar a esperança”. José Couceiro da Costa lembrou: “em 2013, nasceram 82.500 bebés, tantos como em 1900, quando Portugal tinha metade da população”. Terminou com a ideia de que são precisas políticas ambiciosas e desassombradas para abordar o problema ; “temos que ser progressistas, promover a família fecunda”.

João Duque traçou um cenário em que Portugal não terá forma de pagar reformas à geração que atualmente trabalha

João Duque foi o primeiro orador da noite. Apresentado como o especialista que iria fazer o retrato panorâmico, a imagem que deixou não foi bonita, embora tenha acabado por abrir uma janela para alguma esperança. O professor do ISEG e conhecido comentador de assuntos de economia, lembrou que as projeções indicam que iremos perder população e que, pior que isso, iremos perder população em idade ativa. “Em 2060, na faixa entre os 0 e os 17 anos, haverá menos 600 mil euros, e na faixa entre os 18 e os 65 anos, a idade ativa, até 2060 perderemos 2 milhões de pessoas”. Isto quer dizer que a população ativa, que hoje são 6,4 milhões, passará em 2060 para 4,4 milhões. A acrescentar a este cenário haverá um crescimento do número de pessoas mais velhas, que passarão de dois para três milhões. A distribuição das idades em percentagens é hoje de 17% de jovens, 63% de pessoas em idade ativa e 20% de idosos, em 2060 esta distribuição passará a 14%, 52% e 35%. A idade mais frequente hoje (moda) é 42 anos, em 2060 será 83 e a idade média que hoje é 43,6 anos, passará até 2060 para 51,2.

“Teremos muito menos pessoas em idade para trabalhar e isto é dramático, numa população que não será muito diferente daquilo que é hoje em termos das escolhas que faz”, alertou João Duque. O professor alertou para a alteração dos padrões de consumo, com a saúde, segurança e mobilidade a terem especial importância na forma como as pessoas formam o voto. “Basta pensar no Brexit; o que levou os ingleses mais idosos a votarem a favor foi a ideia de que poderiam ficar com mais dinheiro para gastar em saúde se não tivessem que o entregar á UE”. Para João Duque pode não ser assim: “a menos que suja uma revolução tecnológica que permita distribuir o rendimento – um milagre – isto é dramático”. Para isso, o professor acredita que é preciso um investimento sério em educação e tecnologia, “pode ser que a revolução tecnológica encaixe nesta redução da população”.

Pedro Campos traçou um cenário em que Portugal vai perder população

Pedro Campos, da Faculdade de Economia, da Universidade do Porto, concorda com João Duque. “Se tudo se mantiver como está o resultado vai ser desastroso”, adverte o académico. O índice sintético de fertilidade, que reflete o número de filhos por mulher, é de 1,31, em Portugal. Para que houvesse uma substituição de gerações, teria que ser de 2,1, pelo menos. Nesta medida, adverte Pedro Campos, “Portugal faz parte de um grupo de países, que mesmo num cenário otimista vai perder população”.

Adelino Mendes é pai de seis filhos e partilhou a sua experiência

Adelino Mendes é pai de seis : 3 meninas e três meninos. Veio ao “Ouvir Portugal” para dar testemunho das dificuldades que estas famílias enfrentam. Em tom irónico, lembrou que se um criador de cães compra uma carrinha para transportar os seus animais, paga, em média, menos sete mil euros de imposto que um pai de uma família numerosa que tem que comprar uma carrinha de nove lugares. Deu também o exemplo da taxação da água, apenas em função do consumo, sem ter em atenção o número de pessoas do agregado familiar. Uma família numerosa, mesmo que gaste menos água que outra, passa facilmente para o segundo escalão, ou mesmo para o terceiro.

Natália Beck deu ênfase à educação

Natália Beck, emigrante, vinda da Ucrânia nos anos 1990, deu especil ênfase à educação. Lembrando que se queremos adaptar-nos a uma nova sociedade baseada na tecnologia, tal como referiu João Duque, é por este eixo que devem passar os investimentos. Hoje com nacionalidade portuguesa e com um filho já formado em medicina, em Portugal, Natália dedica parte do seu tempo a ajudar refugiados. Ocupa-se particularmente das famílias numerosas que mais ninguém quer receber, porque, hoje ter mais do que dois filhos é socialmente censurável .

José Couceiro falou da necessidade de políticas de natalidade progressistas

Para Assunção Cristas o segredo passa pela partilha de tarefas entre homem e mulher e pelas políticas de conciliação entre trabalho e família

Assunção Cristas confessou que ela própria, mãe de quatro, foi vítima deste tipo de censura, quando lhe diziam depois de já ter nascido o segundo: “agora estás arrumada”. Para a líder centrista “é preciso assumir este desafio como central para o país e ter políticas em várias áreas e dar-lhes estabilidade”. Deu exemplo do quociente familiar, a política fiscal, as creches, a conciliação trabalho família… “Não andar para trás em algumas medidas tomadas”, disse lembrando precisamente o quociente familiar, introduzido pelo anterior governo e retirado por este. “Escolhemos Guimarães por ser uma das regiões do país com melhores resultados relativamente à natalidade, ou seja, a ligação entre melhores salários e maior natalidade não existe”, afirmou Assunção Cristas, numa alusão a regiões que têm melhores salários que o Vale do Ave e uma natalidade mais baixa. Assunção Cristas põe o assento tónico na conciliação trabalho família, e a partilha de responsabilidades entre país e mães.

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