Proteção Civil apresenta o plano de combate a incêndios rurais na região do Ave
O recinto do Santuário da Penha recebeu, esta quarta-feira, dia 13 de maio, a apresentação do Plano de Operações Sub-Regional do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2026, promovida pelo Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Ave.

© Rodrigo Marques/Mais Guimarães
A sub-região do Ave vai contar com 531 operacionais no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) durante a fase Delta, considerada a mais crítica no combate aos fogos rurais e que decorre entre 1 de julho e 30 de setembro.
A comandante sub-regional da Proteção Civil do Ave, Celina Oliveira, explicou que o dispositivo “assenta em três pilares fundamentais”, permitindo garantir “uma resposta operacional mais integrada, mais eficaz e mais segura perante os incêndios rurais”.
Do total de operacionais previstos para a fase Delta, 475 estarão afetos ao ataque inicial e 56 ao ataque ampliado. O dispositivo integra bombeiros, GNR, PSP, Força Especial de Proteção Civil, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e municípios da região.
Durante a sessão, Celina Oliveira destacou os resultados alcançados em 2025 pela sub-região no combate aos incêndios rurais. “O sucesso do ataque inicial na sub-região do Ave é de 90,58%”, afirmou, sublinhando que a maioria das ocorrências foi dominada nos primeiros 90 minutos.
Segundo os dados apresentados, a sub-região do Ave registou, em 2025, um total de 470 ocorrências relacionadas com incêndios rurais, que resultaram em cerca de 1.751 hectares de área ardida. Entre as principais causas identificadas encontram-se os incêndios intencionais e comportamentos negligentes.
Na abertura da sessão Roriz Mendes, Juiz da Irmandade de Nossa Senhora da Penha, defendeu uma mudança de paradigma na abordagem ao problema dos incêndios, preferindo o reforço da prevenção dos fogos rurais, criticando a excessiva associação ao conceito de “combate”.
O responsável destacou ainda o trabalho desenvolvido na Penha ao longo das últimas décadas, salientando que “desde 96 até hoje, há quase 30 anos, neste cume da montanha, não temos uma ignição registada”.
No discurso marcado pela valorização ambiental e patrimonial da Penha, Roriz Mendes descreveu o local como “o pulmão verde” e “a jóia da natureza” de Guimarães, alertando para a necessidade de proteger um espaço que recebe milhares de visitantes ao longo do ano.“Se acontecer aqui uma ignição, só daqui a 100 anos é que voltamos a ter o cenário verde que temos hoje”, alertou.
Aproveitando a presença do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, o responsável disponibilizou terrenos da Irmandade para a instalação da Força Especial de Proteção Civil, de reação rápida, que atualmente encontra-se instalada em Candoso, São Martinho.
Já o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, destacou a importância da articulação entre todas as entidades envolvidas na proteção civil e reforçou a necessidade de continuar a apostar na prevenção e na sensibilização da população.
O autarca sublinhou a relevância da Penha enquanto património natural do concelho, considerando essencial preservar “um dos espaços mais emblemáticos e importantes” de Guimarães.
No encerramento da apresentação, Celina Oliveira deixou uma mensagem de união entre todas as entidades envolvidas no dispositivo. “Sozinhos vamos mais rápido, mas unidos vamos muito mais longe”, concluiu.





