BARRIL DE PÓLVORA

por MARIA DO CÉU MARTINS
Economista

Começa a ser relevante e assustador o número de incêndios que se registam no nosso Concelhozinho.

No Verão, os de sempre, nas zonas mais rurais e de floresta, numa reprodução à escala do que acontece por todo o país e que revela uma impotência – ou incompetência – desconcertante. Fogos, bombeiros, mais bombeiros, casas e pessoas ameaçadas …numa sequência previsível, duma magnitude digna de roteiro de filme americano. Os residentes empenham-se de forma heroica e resignam-se a afirmar que dentro de 4 anos farão nova sequência deste drama.

A prevenção – ou aquilo que ela deveria significar no médio e longo prazo – é treta de politico apanhado no discurso do rescaldo. Há, contudo, algumas boas experiências nacionais de alteração das espécies plantadas cujo sucesso na prevenção de incêndios recomendaria a sua disseminação. O que será, então, que não bate na escolha  – a teimosia das populações, a falta de pulso politico, o lobie do cambate aos incêndios? Ou um bocadinho de tudo.

Mas igualmente greve é o que acontece agora no outro lado – o das cidades habitadas. Em Pleno inverno, de enregelamento coletivo, por abuso (ou não)  das calfetas, as estruturas residenciais ardem melhor que qualquer mata do parque nacional. E este ano, em particular, Guimarães tem aparecido várias vezes referenciado, a troco desta razão, na abertura dos telejornais. Não tem havido vitimas mortais, é verdade – mas pode haver. Contudo, os danos materiais são já elevados. E se um incendio num prédio da Av D. João IV pode ser classificado de acidente, um incêndio numa casa da Rua D.I deve ser lido como um aviso. Como o será na rua de Camões.

Um bom exercício para candidato autárquico seria subir calmamente cada uma destas artérias, identificando os prédios devolutos e o seu estado de degradação e, já agora, a média etária dos habitantes daqueles que são habitados. Na realidade, não será necessário um olhar muito atento nem tão pouco um estudo cientifico muito rigoroso para perceber que estamos no meio de um barril de pólvora seca que poderá, em qualquer momento, provocar uma tragédia naquela que é apelidada de zona tampão do centro histórico. No entanto, não me parece que fosse assim tão difícil justificar a qualificação de toda essa zona que aparece agora, mais do que nunca, como uma zona de ligação/fruição, por excelência, entre o mercado e o centro cívico da cidade.

O pouco que até agora se fez foi por carolice dos proprietários – que têm dificuldade em viabilizar os pequenos negócios e cujo único incentivo Municipal que tiveram nos últimos anos foi a reposição do IMI.

Se outro argumento não houver, recupere-se a fundamentação histórica: permita-se que, durante a feira medieval, D.João I cumpra a promessa de subir descalço até à senhora da Oliveira – e a seguir ao primeiro reconhecimento outros virão.

 

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