Centralização dos direitos televisivos avança após aprovação de proposta da Liga

A Assembleia Geral Extraordinária da Liga Portugal aprovou esta segunda-feira a proposta de distribuição das receitas provenientes da comercialização centralizada dos direitos audiovisuais das competições profissionais, com 80% dos votos favoráveis das 33 sociedades desportivas presentes.

© Liga Portugal

A votação decorreu na sede da Liga, no Porto, por voto secreto, e representa um passo no processo de centralização dos direitos de transmissão dos jogos da I e II Ligas, um projeto considerado estratégico para o futuro do futebol profissional português.

A proposta vencedora, elaborada pela sociedade Liga Centralização, assenta num modelo que privilegia o mérito desportivo, atribuindo peso relevante ao desempenho competitivo dos clubes, ao ranking UEFA e ao histórico recente na I Liga. O modelo prevê ainda uma componente fixa superior a 30% para distribuição igualitária entre os clubes do principal escalão, bem como parcelas associadas à implantação comercial, condições de transmissão e infraestruturas.

Ficou pelo caminho a proposta alternativa apresentada pelo CD Nacional, que defendia uma repartição mais redistributiva, com metade das receitas negociadas distribuídas de forma igual entre os clubes. A solução dos madeirenses recolhia maior apoio entre equipas da II Liga e clubes habitualmente posicionados nos lugares inferiores da tabela classificativa.

A discussão em torno da distribuição das futuras receitas televisivas revelou divergências profundas entre os vários agentes do futebol português. Enquanto os clubes de menor dimensão defenderam uma componente fixa mais robusta, argumentando que garantiria maior previsibilidade financeira, os principais emblemas nacionais mostraram reservas quanto a modelos que reduzissem significativamente as receitas atualmente obtidas através dos contratos individuais.

Segundo estimativas discutidas ao longo do processo, o valor global da futura comercialização centralizada poderá situar-se entre os 200 e os 250 milhões de euros por época, com um valor médio apontado para cerca de 225 milhões. Mais de 90% desse montante deverá ser destinado aos clubes da I Liga, ficando entre 7,5% e 10% reservado para a II Liga.

Em comunicado, a Liga Portugal classificou a aprovação como um “marco histórico”, sublinhando que a chave de repartição resulta de um longo processo de estudo e diálogo com as sociedades desportivas. O organismo destaca ainda que o modelo foi concebido para responder às necessidades do primeiro ciclo de comercialização centralizada, admitindo futuras revisões em função da evolução do mercado e das competições.

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