Valérius quis “contribuir significativamente” e resgatou 150 refugiados ucranianos

São muitos os empresários que não ficaram indiferentes às necessidades do povo ucraniano. Diariamente assistimos a ofertas de emprego, recolha de bens de primeira necessidade, doações monetárias e há também quem não consiga ficar, a quilómetros de distância, ver tudo a acontecer.

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É precisamente o caso de Patrícia Ferreira, CEO da Valérius Hub, que decidiu reunir esforços para ajudar quem mais precisa. Através da empresa barcelense, cerca de 150 refugiados já chegaram à cidade, avançou a própria em entrevista ao Mais Guimarães.

“Todos os dias andávamos a falar nisto e sabíamos que tínhamos de fazer alguma coisa. Queríamos contribuir significativamente, dentro das nossas possibilidades”, explicou a responsável, acrescentando que o desafio não era só ir busca-los, como também “ter tudo organizado para que estas pessoas tenham possibilidade de emprego, de terem a sua casa e tudo o que lhes faz falta”. Também a Câmara Municipal de Barcelos foi um parceiro importante, uma vez que, com o “know-how” necessário, conseguiu tratar de várias burocracias necessárias à integração completa dos cidadãos no país.

Foi com “a garantia de que não haveriam surpresas” que Patrícia Ferreira e outros membros da Valérius arrancaram viagem, pela primeira vez, na passada segunda-feira, 14 de março, rumo à Varsóvia, na Polónia. Quatro dias depois estavam de regresso a Barcelos com cerca de 70 pessoas, assumindo todas as despesas de deslocação do autocarro.

Poucos dias depois, e desta vez em parceria com uma outra empresa, a Sonix Barcelos, voltam a rumar ao país com dois autocarros que permitiram fazer chegar à cidade mais 80 refugiados ucranianos, a 26 de março.

Nas viagens de ida, os veículos seguiram carregados de bens essenciais, mas “ainda sobraram alguns, que ficaram para apoiar as pessoas que querem cá reestabelecer as suas vidas”, esclareceu Patrícia Ferreira. A viagem foi ainda acompanhada de uma bombeira da corporação dos Bombeiros Voluntários de Barcelos, de forma a garantir o apoio necessário e também transmitir a máxima segurança aos cidadãos ucranianos.

“Articulamos com a Câmara Municipal a chegada das pessoas, as casas para aqueles que não tinham cá qualquer apoio ou mesmo a entrega das pessoas aos seus conhecidos. O município alugou ainda um seminário nas Silvas para garantir a receção dos refugiados, assim como testes de despiste à covid-19”, explicou. Por sua vez, o processo de inscrição no CEF ficou a cargo da Valérius, que auxiliou os recém-chegados em todo o processo.

Destes 150 refugiados ucranianos que chegaram a Barcelos a grande maioria são mulheres, crianças e idosos, que já têm casas para iniciarem a sua vida, apesar de muitos estarem ainda com famílias de acolhimento. Entre as maiores dificuldades está a adaptação à língua, já que muitos apenas falam ucraniano e não dominam o português ou o inglês. Ainda assim, prevê-se uma fácil adaptação através de todo o apoio que está a ser assegurado.

“Em Barcelos existe uma comunidade grande de ucranianos e também muitos alunos que estudam no IPCA, em Erasmus ou intercâmbios, que também estão a fazer parte da integração destes refugiados na sociedade. É quase como se cada pessoa tivesse um tutor de acolhimento, que fala ucraniano, e que faz a ponte connosco”, elencou.

A empresária não descarta a possibilidade de regressar ao país, “quem sabe dentro de três ou quatro semanas”, caso se verifique um novo aumento significativo de refugiados nas fronteiras. Garantindo que “continua disponível para ajudar”, a Valérius também já foi contactada por diversas empresas que mostraram disponibilidade para ajudar com os custos dos autocarros, caso fosse garantido o apoio logístico e de coordenação de todo o processo inerente ao resgate dos cidadãos ucranianos.

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