“Chegou o momento de voltarmos todos a acreditar”: Júlio Vieira de Castro apresenta candidatura
A candidatura de Júlio Vieira de Castro às eleições do Vitória Sport Clube apresentou, na noite desta quinta-feira, a equipa e o programa eleitoral da Lista B, numa sessão realizada no Espaço 20 Arautos de D. Afonso Henriques, no Centro Histórico de Guimarães, que acabou por transformar-se numa longa sessão de esclarecimento, marcada pela participação ativa dos sócios presentes.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães
Sob o lema “Só Vitória”, o candidato apresentou as principais linhas orientadoras do projeto para o clube e SAD, defendendo uma reorganização estrutural do Vitória, maior profissionalização da gestão e um reforço da relação com os associados. “Hoje apresentamo-nos com a convicção absoluta de que o Vitória pode ser mais forte, mais organizado, mais competitivo e mais respeitado”, afirmou Júlio Vieira de Castro no discurso de abertura.
O candidato sublinhou que a equipa que o acompanha “não promete milagres nem atalhos”, mas garantiu “trabalho, competência, transparência, lealdade e compromisso” para com o clube. “Não estamos aqui para recordar os momentos bons do passado. Temos dimensão social, temos paixão e chegou o momento de voltarmos todos a acreditar”, declarou perante uma plateia composta por dezenas de sócios e apoiantes.
A Lista B apresentou um programa assente em cinco compromissos de governação: “Competir para vencer”, “Recuperar margem de decisão”, “Colocar o sócio no centro”, “Valorizar o clube como um todo” e “Prestar contas”.

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No plano desportivo, Júlio Vieira de Castro defendeu uma estrutura profissionalizada para o futebol, com funções bem definidas e maior capacidade de decisão.“Uma SAD pressionada para vender não vende bem. Financia-se mais caro e vale menos”, referiu, defendendo uma gestão financeira mais sustentável e menos dependente das transferências de jogadores.
O candidato revelou também a intenção de reativar a relação com o fundo V Sports, proprietário de 29% da SAD vitoriana, considerando que o parceiro estratégico pode ser importante sobretudo do ponto de vista estrutural. “Aquilo que nos foi informado pela equipa financeira do Vitória é que a relação com o V Sports é neutra, está numa espécie de limbo. Quero reativar a parceria, mais do ponto de vista estrutural do que financeiro”, afirmou.
Questionado pelos jornalistas e sócios sobre o impacto do acordo parassocial com o fundo, Júlio Vieira de Castro admitiu que o clube está condicionado pelas decisões anteriormente aprovadas pelos associados. “Nós, sócios, autorizámos esse acordo parassocial em Assembleia Geral. Mas isso não significa que o V Sports tenha de ser encarado como um problema. Pode ser um parceiro importante se a relação for trabalhada de outra forma”, sustentou.
Ao longo da sessão, vários sócios colocaram questões relacionadas com a situação financeira da SAD, o passivo acumulado e o futuro da estrutura desportiva do clube.

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Perante perguntas sobre o elevado passivo, cerca de 75 milhões de euros foi o valor apontado, e a necessidade de reestruturação financeira, o candidato admitiu a complexidade do cenário atual, mas mostrou-se confiante. “Não temos responsabilidade no ponto difícil a que o Vitória chegou enquanto dirigentes, porque nunca estivemos lá dentro. Mas o problema tem solução e estamos preparados para apresentar essa solução”, disse.
A situação financeira da SAD foi um dos temas mais debatidos durante a sessão, sobretudo as dívidas de muito curto prazo. Com os valores elevados do passivo e das responsabilidades imediatas, Júlio Vieira de Castro reconheceu a gravidade do cenário, defendendo que o clube precisa urgentemente de recuperar credibilidade e capacidade de organização financeira, admitindo ainda que a próxima direção poderá encontrar “um valor significativo de dívida a pagar num curto prazo”, dívidas sobretudo a agentes e a fornecedores, já que “as dívidas a clubes estão negociadas”, adiantou.
Júlio Vieira de Castro insistiu na necessidade de devolver credibilidade à gestão do clube. “Temos de gerir de forma diferente. Gerir para dar sustentabilidade, crescimento e credibilidade. É isso que sentimos que não foi feito nos últimos anos”, apontou.

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Sobre a estrutura do futebol profissional, o candidato explicou que o organograma prevê um diretor-geral para o futebol e um diretor desportivo, embora ambos os cargos possam ser acumulados pela mesma pessoa. “Já temos o perfil definido para essas funções e também para treinador, mas jamais será tomada qualquer decisão sem falar com Gil Lameiras, que merece todo o nosso respeito”, assegurou.
Durante a sessão, Júlio Vieira de Castro apelou também à mobilização dos associados para o ato eleitoral. “O Vitória pertence aos sócios e aos vitorianos. O futuro do clube depende da coragem que todos tivermos no dia 13 de junho”, afirmou.
“O Vitória não é só futebol. O Vitória sente-se. Existe para nos levar a um mundo onde nos sentimos sempre em casa”, acrescentou.





