Com o “orgulhosamente sós”, não vamos lá

Por Eliseu Sampaio.

De acordo com os dados divulgados pelo ACES do Alto Ave, a 19 de outubro estavam confirmados 2498 casos de Covid-19 no concelho de Guimarães desde o início da pandemia. Tal representou um aumento de 280 casos em quatro dias, um novo recorde de contágios no nosso concelho. Estes números são mesmo preocupantes.

A manter-se e, ao que tudo indica, ao aumentarem ainda mais os contágios em Guimarães, rapidamente chegaremos a um momento de rotura dos cuidados de saúde. Não há volta a dar e, por maior que fosse a capacidade de resposta dos cuidados instalados, haveria sempre esse ponto de rotura.

A ele chegaremos até porque veio o outono, o vírus propaga-se mais facilmente em espaços fechados e, na última semana, baixamos a guarda ao Covid-19 com o levantamento de algumas restrições, nomeadamente, com a eliminação da necessidade de testes negativos para que indivíduos infetados, assintomáticos ou com sintomas ligeiros, possam regressar aos locais de trabalho ou escolas, bastando uma declaração de alta clínica.

No Hospital de S.João, no Porto, cancelaram já as cirurgias não urgentes de modo a libertarem os cuidados intensivos para tratamentos a indivíduos infetados com Covid-19, uma medida que, sendo inevitável, será adotada por outras unidades em breve.

Considerando que temos ainda pela frente todo o outono e um inverno que se preveem muito difíceis, é hora de arrepiar caminho e de definir estratégias para evitarmos o colapso. As unidades de saúde estão já a ficar completas e os profissionais demasiado cansados.

Creio que é hora de solicitar o auxílio dos privados a este combate que é de todos e, mesmo não sendo para o tratamento de doentes Covid, que poderão ficar na esfera pública, que seja para o auxílio a todos os outros doentes. Demasiados têm já sucumbido, e acredito que sem a resposta que esperavam ter quando do Serviço Nacional de Saúde necessitassem.

De pouco nos vale levantar a bandeira do SNS, por mais orgulhosos que estejamos (e estamos todos) do serviço que presta, se percebermos que só com o Serviço Público não vamos lá.

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