Combustíveis: Sempre a subir até lá abaixo

Por Eliseu Sampaio,
Diretor do grupo Mais Guimarães

Assim à partida, sempre achei que termos mais pessoas a pagarem menos é preferível a termos menos pessoas a pagarem mais. É uma perspetiva que me parece lógica e que, até ser rebatida por argumentos válidos, continuarei a considerar mais viável e justa.

Nas últimas semanas tem subido de tom a contestação dos portugueses relativamente ao preço dos combustíveis. Em 2021, os aumentos consecutivos provocaram um escalar desses preços, e a gasolina, por exemplo, atingiu, pela primeira vez, os dois euros por litro.

À partida, o povo aguenta, tem andado mais “pacífico” e a contestação sobre de tom mas só nas redes sociais em que os “eventos” de boicote aos postos de abastecimento se multiplicam. O povo aguenta apesar de sermos um país em que o salário médio é dos mais baixos do espaço europeu, e os preços dos combustíveis dos mais elevados.

Penso que este escalar de preços nos combustíveis tem um poder de multiplicação que não está a ser devidamente considerado, porque tudo aumenta quando sobe o custo da mobilidade.

As empresas transportadoras, por exemplo, já vieram avisar que os preços dos fretes vão subir até 12%. Naturalmente, os mercados retalhistas seguem o mesmo discurso, um discurso inevitável, de que isso afetará, automaticamente, o preço dos produtos. Em resumo, com estes preços nos combustíveis, as pessoas vão deslocar-se e consumir menos, os bens vão encarecer, e até as exportações serão colocadas em risco.

Nas contas do Eco, o encaixe do Estado com o imposto sobre os produtos petrolíferos cresceu 58% nos últimos cinco anos. Atualmente, em cada litro de combustível, cerca de 600 ml são para impostos.

Num período em que é absolutamente necessário dinamizar a economia, o consumo interno, não baixar consideravelmente os impostos sobre os combustíveis é um erro que pagaremos demasiado caro.

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