COMO PÔR PESSOAS A COMPRAR EM GUIMARÃES? CONSELHO CONSULTIVO OUVIU COMERCIANTES PARA ENCONTRAR RESPOSTAS

A blackbox do CIAJG encheu-se de comerciantes para refletir e discutir o melhor caminho a seguir para o comércio local. Muitas divergências e algumas aproximações marcaram a última sessão Conselho Consultivo

Uma plataforma eletrónica, animação de rua, concurso de vitrinas, trânsito, estacionamento e animação de Natal. Foram apenas alguns dos temas levados a discussão na última sessão do Conselho Consultivo para o Investimento e Emprego, que, segundo Domingos Bragança, pretendeu “refletir o que vai mudar no futuro” para tornar o comércio local “forte e robusto.” Com mais divergências do que aproximações, comerciantes e associações comerciais expuseram a sua visão para o comércio vimaranense, numa sessão concorrida que encheu a blackbox da Plataforma das Artes.

“Trata-se de um desafio para todos. Para os comerciantes e para a Câmara Municipal. Daqui a algum tempo podermos dizer se progredirmos. Poderemos fazer a pergunta: ‘Valeu a pena, este Conselho?’”, perspetivou Domingos Bragança. O autarca frisou a importância do diálogo e foi o primeiro a expor ideias para desencadear o debate. O feedback por parte dos comerciantes chegaria em forma de questões.

Entre a ideia de pedonalizar algumas zonas do centro histórico (só o fará “em concerto com os comerciantes”) ou o lançamento de um concurso de classificação de vitrinas, a criação de uma plataforma eletrónica “que congregue o máximo de comerciantes”, “uma espécie de “quiosque” onde as lojas possam mostrar o que têm foi uma das sugestões mais frisadas pelo edil. “Não é coisa pouca. Custa muito dinheiro. Mas a Câmara apoiaria”, acrescentou.

Este foi, aliás, um dos pontos mais discutidos na sessão. O que pode fazer a autarquia pelos lojistas? No entender de Domingos Bragança “há trabalho que deve ser feito pelos comerciantes”, sendo que à Câmara caberá o papel de complementar esse trabalho. Exemplo? Através de parqueamentos – como o Parque de Camões, exemplificou – e requalificação de infraestruturas. “Não quero municipalizar o comércio. Não quero tutelar o comércio. É errado.”

ACIG fora do mapa

O comércio vimaranense foi um dos temas abordados por Domingos Bragança na reunião do executivo de 30 de outubro, que afirmou que o mesmo “não está bem”. Na altura, o Edil afirmou que o Conselho Consultivo a realizar terá como objetivo estimular “uma reflexão e um debate muito disruptivo para ver o que é preciso fazer” em Guimarães no que ao desenvolvimento comercial diz respeito.

O debate começou com as intervenções das associações comerciais presentes – a Associação do Comércio Tradicional de Guimarães, representada pela presidente Cristina Faria, e a Associação Vimaranense de Hotelaria, presidida por Ricardo Pinto da Silva – que discorrerem acerca das perspetivas para o comércio. Antes da fase de perguntas e respostas, o presidente da AVH, Ricardo Pinto da Silva sublinhou a importância de combater a sazonalidade do turismo em Guimarães. Na ótica de Cristina Faria, algumas propostas feitas pela associação ainda esperam respostas da autarquia. Entre eles, a possibilidade de comerciantes “poderem” oferecer estacionamento aos clientes. O atraso da reunião com a Vitrus acabou por colocar uma pausa nas intenções dos associados em levar este ponto avante.

A associação, que completou o seu primeiro ano há pouco tempo, olha com desagrado para a possibilidade de cortar o trânsito em algumas zonas da cidade – como na Alameda, Toural ou Santo António – e reforçou a necessidade de trazer serviços como a Loja do Cidadão e os CTT para o centro da cidade: “Deixaram as lojas sem vimaranenses. É preciso trazer vimaranenses a Guimarães.”

Quanto a estes serviços, que podem servir de âncora para transformar visitantes em consumidores, Domingos Bragança lembrou que os CTT foram privatizados e que ainda mantém firme a ideia de que a Loja do Cidadão “deva ser no centro da cidade”, na Rua de S. António. Quanto à questão do corte de trânsito em algumas artérias da cidade, o presidente da Câmara realçou que a ideia tinha como função “dar um abanão positivo” e que “não fazer nada, não experimentar nada é conservador”; o autarca reiterou que o objetivo é cooperar e que não adotará, de momento, medidas de forma unilateral.

O Natal e a arte

O presidente da autarquia aproveitou para trazer à tona a questão da ACIG. Para o socialista, “os três milhões necessários davam para muita coisa e para criar associações mais fortes”. “Não seria boa política”, disse. um

A postura mais contundente veio da Associação do Comércio Tradicional de Guimarães (ACTG), que se mostrou desapontada com as propostas apresentadas no início desta semana para o Natal. Cristina Faria lembrou uma reunião com a vereação e criticou o plano apresentado pela CM: “Um mercado de Natal aberto a 30 comerciantes significa concorrência a céu aberto que não podemos aceitar.” “Queríamos a cidade natal, não mercado natal”, adiu, lembrando que na reunião foram discutidas a introdução de carrosséis e pistas de gelo.

Para Domingos Bragança o mais importante é “fazer compromissos”, reiterando que a concorrência “faz bem”. Acerca das propostas de animação cultural, o autarca assumiu a relevância destas medidas a curto e médio prazo, mas considera que o que é feito no imediato “não chega”. “Devemos ter um Natal com força, mas também um ano inteiro.”

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