Covid-19: Ponto de situação

Por Eliseu Sampaio.

Muito temos escrito sobre a Covid-19 e o impacto nas nossas vidas.

Este “inimigo invisível” que chegou em março, açambarcando as nossas liberdades e virando do avesso a nossa pirâmide de prioridades. Se ainda lembramos a forma como circulávamos livremente por Guimarães, pelo país e pelo mundo, das férias tranquilas que vivíamos, da alegria das nossas crianças no regresso às escolas, das festas dos avós nas visitas das suas famílias, focamo-nos agora em questões primárias, basicamente em como mantermos a nossa saúde e a saúde dos nossos, dos que nos são próximos.

No entanto, os aspetos que referi, embora tenham passado agora para um nível inferior de importância, são necessários para mantermos a nossa saúde, sobretudo a mental. Saúde que, descuidada, mais tarde ou mais cedo deixará sequelas significativas no nosso bem-estar global. Esta não deve ser uma preocupação menor, pelo contrário, o impacto da pandemia na saúde mental dos cidadãos deve ser tida como prioritária.

Em Guimarães a situação sanitária tende a piorar nas próximas semanas. Setembro, como temos referido, foi um mês muito mau, em que o contágio se disseminou, se tornou comunitário. Os números não enganam, mais de 600 infetados diagnosticados num só mês, quando tínhamos 980 nos primeiros seis meses desta pandemia, é para ficarmos preocupados.

Como sabíamos, havíamos de fechar lares e centros de dia, instituições, empresas, ou enviar para quarentena turmas inteiras ou até encerrar escolas. Sabíamos que era inevitável, só não conseguimos evitar qua acontecesse tão rapidamente. Fruto disso, está a aumentar muito a pressão sobre o Hospital Senhora da Oliveira, cujo nível de ocupação das camas de internamento e cuidados intensivos está muito alto, e se veem já na necessidade de encaminhar doentes para Braga ou Porto. Percebamos também que isto continuará a influenciar a capacidade de resposta a outras situações, a outros problemas de saúde não covid-19, que se estão a agonizar. Os cuidados de saúde primários, os Centros de Saúde, estão a adaptar-se também lentamente a esta realidade, com um deficit preocupante, considerando que estão na primeira linha nas respostas aos cidadãos.

O cenário é preocupante, é, mas o futuro disto tudo continua nas nossas mãos.

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