D. GRACIETE

Nome completo

Graciete Elisa Airosa Ribeiro de Sá Costa

Nascimento

25 de outubro de 1942

Guimarães, Portugal

Profissão

Comerciante

O frenesim na tabacaria da dona Graciete era grande no último sábado. No dia anterior um milhão de euros caiu no boletim de um apostador que fez do número 12 da Paio Galvão a sua casa da sorte. O dia é de festa e dona Graciete não desmerece a ocasião: de ar muito cuidado e baton vermelho recebe os jornalistas, conversa com clientes, responde aos curiosos. Não, não sabe quem foi o “feliz contemplado”, que não precisa de se dirigir ao local de registo para reclamar o dinheiro.

“Saiu em Braga pela primeira vez, se vier na auto-estrada, em dez minutos, está aqui”. Dito e feito. A previsão de Graciete fez-se realidade e após o M1LHÃO (jogo adicional da Santa Casa da Misericórdia disponibilizado aos jogadores portugueses do Euromilhões que dá a hipótese de ganhar um prémio de 1 milhão de euros nas noites de sexta-feira) ter saído na cidade dos arcebispos, a paragem seguinte foi, efetivamente, Guimarães. Há uma cliente que, entre uma raspadinha e a compra de uma revista, confirma a antevisão de Graciete.

É esta proximidade com os clientes que Graciete cultiva há 59 anos. Não gosta de estar parada, aborrece-se com as tardes de domingo, a única altura da semana que as portas da tabacaria fecham para descanso do pessoal. “Em casa tenho  empregada que arruma e faz a comida”, diz, libertando-a das tarefas domésticas para se dedicar ao que gosta: trabalhar. “Sou verdadeiramente feliz dentro destas quatro paredes, é o meu castelo”, garante.

Nunca quis estudar e, com a ajuda dos pais, abriu um quiosque que ainda hoje tem um dos seus apelidos (Quiosque Airosa) onde vendia tabaco, revistas e jornais enquanto apanhava malhas nas meias. Ali ficou 22 anos, “sem caixa, sem férias” até que se lançou num negócio mais amplo, nas instalações que hoje conhecemos na Paio Galvão. Ainda se aguentou dois anos sendo a única funcionária da tabacaria. Mas naquela tarde de domingo em que um inspetor da Santa Casa apareceu ao marido anunciando que poderia instalar duas máquinas de jogos, no tempo do papel químico e em que os boletins se registavam à manivela, tudo mudou. O marido deixou o emprego que tinha numa fábrica em Covas e assumiu com Graciete o estabelecimento.

Encabeça, há vários anos, a organização da Confraternização dos Quiosques e Tabacarias dos concelhos de Guimarães e Vizela, uma “iniciativa única no país”. Foi numa dessas festas, no mês de maio, que, enquanto dançava com o marido, este desfaleceu. Um ataque cardíaco tirou-lhe o companheiro de vida. A dor ficou mas a força para o trabalho manteve-se. Mudou-se para a casa dos pais, que havia comprado quando o marido ainda era vivo, no centro histórico. Não tinha carta de condução e precisava da independência de fazer a pé o caminho casa-trabalho.

Retornando à manhã do último sábado, pergunto-lhe: “Este foi o maior prémio que a casa deu?”, Responde com um rotundo “não”, como quem lembra outras várias ocasiões, referindo que o maior montante atribuído “já vai em contos”. Ainda no ano passado, por esta altura, uma raspadinha de 100 mil euros fez a alegria de uma cliente. Para Graciete os prémios têm sido sempre a somar, “uma estrelinha” que premeia o trabalho árduo que desenvolveu nos últimos 59 anos. Cumpriu-se o seu maior objetivo: deixar ao filho um negócio viável.

Por: Catarina Castro Abreu

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