Daniel Pinto explica a saída da Vitrus

O Mais Guimarães teve acesso ao email de renuncia do ex-administrador executivo da Vitrus, em que este levanta graves acusações, nomeadamente alegando haver uma subversão da estrutura hierárquica da empresa. No email, datado de 12 de março, dirigido ao presidente da Câmara de Guimarães, Daniel Pinto reconhece que é com “pesar e desalento” que põe fim à sua colaboração de mais de oito anos na Vitrus.

O ex-administrador data o inicio dos problemas que o levaram a renunciar ao seu lugar na empresa municipal, do  momento de tomada de posse da atual administração e menciona os resultados de uma auditoria, realizada em 2019, que já daria conta desses problemas. Segundo Daniel Pinto relata no seu email de rescisão, a “situação não só não foi alterada com a referida auditoria, como se agravou dai em diante”.  Para o administrador cessante, houve “interferência na esfera de atuação do administrador executivo”, de tal forma que tornaram a execução das suas funções “praticamente impossível”.

Daniel Pinto usa a palavra “patológico” para descrever os acontecimentos internos na Vitrus. O ex-administrador queixa-se da criação da figura de diretor-geral que esvazia de conteúdo funcional o cargo de administrador executivo. Daniel Pinto acusa este diretor-geral de se lhe dirigir “em termos incompatíveis com a respetiva condição de funcionário da empresa cuja administração me está atribuída.”

Apontando o dedo ao presidente do Conselho de Administração, Sérgio Castro Rocha, acusa-o de não compreender, “ou compreendendo e preferindo ignorar, que entre membros de um mesmo órgão colegial, como é o Conselho de Administração da Vitrus, inexiste qualquer relação hierárquica”. Prossegue acusando Sérgio Castro Rocha de se lhe dirigir como se fosse “apenas mais um funcionário da empresa”. Daniel Pinto alega que as ordens e imposições que lhe eram dadas por Sérgio Castro Rocha, acarretavam “o incumprimento dos deveres… nomeadamente de assegurar o regular e normal funcionamento da empresa”.

Durante a reunião de Câmara do passado dia 18 de junho, Hugo Ribeiro, vereador do PSD, solicitou ao presidente do Município a divulgação da carta de renuncia de Daniel Pinto. O sociais-democratas pretendiam aferir se  a percepção que tinham de um mal estar dentro do conselho de administração desta empresa municipal era real e “em que é que ela se materializava”. Perceção que os novos dados agora apresentados pelo Mais Guimarães vêm confirmar.

Em resposta ao vereador do PSD, Domingos Bragança acedeu em divulgar a carta de renuncia. Para o presidente da Câmara o problema reside no facto de o presidente da Vitrus não ser executivo e de haver um diretor executivo, que também faz parte do conselho de administração. É essa, na opinião de Bragança, a fonte dos problemas. A solução poderá passar, no futuro, por uma alteração estatutária, anunciou o presidente da Câmara. “Passar a ser o presidente o membro executivo, ou o diretor executivo deixar de integrar o conselho de administração e passar a receber ordens deste órgão”, concluiu Domingos Bragança.

Na mesma reunião do executivo foi aprovada uma minuta de contrato de Gestor Público, para o novo membro do Conselho de Administração da Vitrus que, de acordo com a acta da Assembleia Geral da Vitrus, de 14 de Abril, passará a exercer funções executivas. No caso, trata-se de João Pedro de Oliveira Martins Castro, que, para efeitos remuneratórios será equiparado a um chefe de divisão do Município, um salário ligeiramente acima dos 2 600 euros.

Daniel Pinto é funcionário da Tempo Livre e, uma vez que o presidente da Câmara aceitou a sua renúncia, regressa ao seu lugar na  Régie-Cooperativa que tem como principal cooperante a Câmara Municipal de Guimarães.

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