DECISÃO CAMARÁRIA

por José da Silva Mendes

Ex. Bancário no Porto, na sucursal do Banco Pinto e Sotto Mayor

Com data de 14 de Fevereiro passado, este Jornal publicou, na página 9, um texto intitulado “Preço do Teleférico mais baixo para os vimaranenses”, sendo esta uma determinação do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Dr. Domingos Bragança.

Reconhecendo a oportunidade da decisão acima, sou entretanto do parecer que outras medidas terão que ser previamente tomadas, para que possamos ver alcançadas as metas sugeridas e de que se evidencia o encontro da visita regular da população da nossa cidade e concelho à incomparável estância da Penha.

Quem, como nós, visita aquela montanha e Santuário com uma certa regularidade observa, com alguma mágoa, que a Penha é cada vez mais visitada e procurada por gentes de concelhos vizinhos e até por turistas, mas é estranhamente ignorada e desprezada por uma grande maioria dos vimaranenses.

A própria Peregrinação à Penha é bem um desses exemplos, dado que a maioria das paróquias não participa. É bem notória a ausência da zona das Taipas, a par de diversas outras paróquias do nosso concelho que até (algumas delas) promovem excursões paroquiais no próprio dia da Peregrinação.

Uma das medidas complementares a ter em conta, seria a própria Câmara Municipal publicitar, nos Jornais e Rádios locais, as diversas iniciativas culturais e religiosas, tal como faz a Câmara Municipal de Braga na Rádio Sim – Canal da Rádio Renascença. Porém, aquele concelho não se limita a esta eficaz e permanente iniciativa com destaque para a sua unidade coletiva a par com a divulgação do turismo local. De resto, sempre que algum canal de televisão ali se desloca, além de projetar a cidade, o Bom Jesus e até o Sameiro são integrados na sua divulgação.

Em Guimarães, a estância turística da Penha tem sido sempre ignorada ao não tirar partido da sua beleza e a própria cidade em nada beneficia.

Nos últimos tempos, o pelouro da cultura da Câmara Municipal tem vindo a descentralizar alguns programas culturais, levando-os a algumas Vilas do nosso concelho, certamente por dificuldades em participarem naquilo que se faz e acontece na sua cidade.

Por sua vez, a Fraterna, tem vindo a promover passeios a idosos e reformados, com viagens a Espanha, Algarve, Fátima e a diversas outras regiões do nosso país. Também as Juntas de Freguesia promovem as mesmas iniciativas e todas elas (com algumas excepções) ignoram a nossa cidade, o nosso património, a nossa história, os nossos monumentos, a Citânia de Briteiros, S. Torcato e a própria Penha, sendo este um dos locais mais aprazíveis de Guimarães, propício que é a encontros para jovens e idosos bastando para isso que haja vontade e imaginação, promovendo acima de tudo, aquilo que é nosso.

Ainda em relação a estas iniciativas comuns, quer da Fraterna quer das juntas de Freguesia, e quando estão em jogo gastos de dinheiros públicos, melhor seria que parte desse dispêndio monetário fosse aplicado na área da saúde, no pagamento dos medicamentos àquelas pessoas mais carenciadas.

Armindo Cachada, ex-correspondente do Jornal de Notícias, publicou em 1 de Junho de 2005, há 15 anos, uma entrevista ao ex-Presidente da Junta das Caldas das Taipas, Remísio de Castro, e ainda a um grupo de estudantes do 12° ano, com o título: “Cidade não cativa Taipenses”, com o argumento de que Braga é uma cidade com muito mais oferta e que tem melhores acessos rodoviários.

Ultimamente a Câmara Municipal entendeu dar prioridade à construção de ciclovias, ignorando as dificuldades que diariamente são sentidas no acesso à nossa cidade. Curiosamente a Drª Ana Amélia Guimarães (ex-vereadora), em artigo de opinião, escreve neste mesmo Jornal (página 22 de 21 de Fevereiro) o seguinte: – Uma Cidade Engarrafada onde diz que um estudo da INRIX, organização norte-americana que estuda as condições do trânsito em diferentes cidades do mundo, mostra que Guimarães é a terceira cidade portuguesa onde quem utiliza os transportes rodoviários perde mais tempo em congestionamentos, logo atrás, respectivamente, do Porto e Lisboa. Com todas estas dificuldades e contradições, como será possível sensibilizar a Indústria para que se venha instalar em Guimarães?

É um erro quem pensa que a casa se deve construir pelo telhado, e assim vai a falta de união dos vimaranenses por todas estas sentidas dificuldades e por falta de visão política de quem nos tem governado.

 

José da Silva Mendes

 

 

 

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