DO MONTE DO CAVALINHO ÀS TAIPAS, PASSANDO POR SILVARES

Por António Rocha e Costa

Não vai assim há tantos anos, integrava eu a Direcção da MURALHA – Associação para a Defesa do Património – quando participei numa discussão pública da revisão do P.D.M.. Recordo-me de ser feita uma abordagem a várias zonas do concelho, entre as quais o Monte do Cavalinho, Couros e Vale de S. Torcato. Recordo-me ainda de ter feito uma intervenção quando foi anunciada a construção de 700 fogos na encosta do Cavalinho, chamando a atenção para a exagerada densidade de construção e o consequente impacto numa zona tão sensível da cidade. Talvez porque estávamos em pleno “boom” imobiliário, o edil que presidia à mesa, respondeu à minha interpelação de forma pouco convincente, só faltando fuzilar-me com o olhar.

Passados estes anos e tendo falido a empresa que iria erguer o empreendimento, os terrenos foram a leilão, num enquadramento diferente do inicial, devendo o único comprador que licitou os terrenos, obedecer a um projecto que nasceu de um estudo urbanístico da Universidade do Minho e que reduz para 250 fogos a capacidade construtiva. Além disso, vão surgir ali equipamentos fundamentais para a cidade, o que não será o caso da via que irá ligar a rotunda da Avenida D. João IV, ao início da Rua António Costa Guimarães (Urgezes), serpenteando pelo meio da urbanização projectada.

Andou bem a Câmara ao conduzir este processo da forma como o conduziu, defendendo os interesses da cidade e dos cidadãos e evitando mais um erro urbanístico com grande impacto na paisagem urbana. Só é pena que não tenha aproveitado a oportunidade para lançar a tal via estruturante tão falada aquando das últimas eleições autárquicas, que ligaria a Avenida D. João IV, ao nó da autoestrada, passando pelo Centro de Saúde de Urgezes. Isso sim, seria uma medida arrojada que viria resolver em grande medida o constrangimento do trânsito da zona sul da cidade. Assim, teremos uma solução de remedeio, comparável à que foi adoptada na rotunda de Silvares, com a ligação da estrada que vem de Pevidém, à via rápida de acesso à cidade, evitando apenas a rotunda. Entretanto, a solução definitiva há muito prevista e prometida para esta zona, continua a aguardar melhores dias, qual ala pediátrica do Hospital de S. João, para não falar das obras de S. Torcato, que essas já terminaram.

É costume dizer-se que em Guimarães pensa-se pequeno. A sustentar esta afirmação está a ausência de obras de grande impacto no tecido social e económico do concelho, que devolvam a este, a projecção que já teve no passado.

Efectivamente, contentámo-nos com pouco, como o demonstra o trabalho jornalístico publicado na edição do passado Domingo de um jornal de referência do Norte, segundo o qual, nos primeiros nove meses do ano, no concelho de Guimarães foram criadas 427 empresas, tendo encerrado no mesmo período 238, referindo ainda que a maior destas são da área do comércio e da imobiliária. Entretanto, dá como exemplo das empresas criadas ultimamente uma pequena loja de vestuário e de acessórios que abriu nas Caldas das Taipas. É caso para dizer que, para quem não ambiciona mais, está bem assim.

P.S. No dia em que comemoravam os 100 anos de armistício da I Guerra Mundial, a imprensa anunciava que o inefável Jaime Marta Soares, presidente da Liga de Bombeiros Portugueses, declarou Guerra ao Governo, transformando assim os “soldados da paz” em “soldados da guerra”.

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