DO “RETIRO” CRIATIVO DOS ZULU ZULU NO CCC SAIRÁ MÚSICA NOVA

Os maiorquinos fecham a programação da Capivara Azul para o Ciclo Terra no sábado, às 21h30.

©Bruna Silva/ Capivara Azul

Momento certo, hora certa. Os Zulu Zulu estão a viver — e a criar — no Centro de Criação de Candoso (CCC) até domingo, dia 24. A residência artística da banda de Maiorca naquele espaço culminará num concerto agendado para sábado, dia 23, na blackbox do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), promovido pela associação cultural vimaranense Capivara Azul, que fecha assim o Ciclo Terra. Como desfiamos a primeira frase? Por partes.


Os Zulu Zulu propõem, desde o primeiro álbum, “Defense Zebra”, um cruzamento entre influências contemporâneas europeias e a ancestralidade da música africana. E isso resulta numa amálgama de sons que os catapultou Maiorca fora. Ao mesmo tempo que residem no CCC e que visitam Guimarães pontualmente, há, no sítio onde tocarão sábado, exposições tão distintas entre si quanto as criações dos Zulu Zulu: da exposição permanente de Arte Africana, Pré-Colobiana e Arte Antiga Chinesa à Geometria Sónica ou à Plant Revolution.

É nestas “inflexões”, como caraterizou Fili, um dos membros do grupo, que ocorrem os encontros artísticos tão vincados na música dos Zulu Zulu. Pep acabaria por completar o retrato da banda: “O museu representa bem o que é o grupo. Tem uma exposição de arte africana e outra mais contemporânea. A inspiração inicial do grupo, há quatro ou cinco anos, foi África. Agora, estamos muito desvirtuados. As canções têm essa inspiração, os trajes também, mas a música não é africana.”

E foi das coleções do CIAJG que os Zulu Zulu tiraram ideias para o concerto, havendo máscaras em exclusiva preparação para o espetáculo. Há tempo e espaço para criar: na quietude da freguesia de Candoso São Martinho reside aquilo que é necessário para que uma residência artística seja, também, “um retiro”, como disse Michael, que completa o trio. Ali, cria-se música completamente nova.

“Não sabemos muito bem o que esperar, é um desafio duplo: tanto para o público como para nós, porque a banda vem para cá criar música de raiz”, explicou Samuel Silva, da Capivara Azul. O risco inerente não o preocupa: “Nunca fizemos nada confortável e interessa-nos pouco fazê-lo. Arriscamos sempre nas propostas”, disse.

Os dias são passados em volta de música, feita de tanto quanto se possa imaginar (o melhor é guardar a surpresa). De tudo se faz música “para mexer o corpo do pescoço para baixo”, como apontou Fili. Se bem que a cabeça também entra na dança — se quisermos — no concerto de sábado, marcado para as 21h30 e com o custo de 7 euros.

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