A importância de “mudar a norma do que é o corpo em cena”

Na manhã deste sábado, 1 de maio, Guimarães recebe a estreia de Vaamo share oque shop é Beiro Pateiro, o espetáculo que assinala os 20 anos de existência da companhia Dançando com a Diferença, criada em 2001, na Região Autónoma da Madeira, que junta em palco pessoas com e sem deficiências por uma só causa: dançar.

© Mais Guimarães

Vaamo share oque shop é Beiro Pateiro é uma peça que contrasta com os dias que vivemos. Uma peça cheia de cor e sons que nos faz questionar. Oito bailarinos, dos quais um invisual, três com trissomia 21, três sem deficiência e um com síndrome não identificada.

Para Henrique Amoedo, diretor artístico da companhia, a principal caraterística do espetáculo é a alegria. “Dançando com a Diferença tem espetáculos super densos”, este é, por outro lado, “mais alegre, tem mais alegria, mais felicidade”, diz, lembrando este paradoxo “neste tempo de confinamento e pandemia”.

Contudo, acredita que “isso é uma das caraterísticas da arte”, ir buscar o que falta a outro lugar. “Parece que é um tempo mais cinzento e este vem cheio de cor e alegria.”

O processo criativo de Vaamo share oque shop é Beiro Pateiro

Henrique estuda a obra dos coreógrafos que convida e tenta perceber o “momento adequado para que a criação contribua para o crescimento da companhia e dos bailarinos”.

A escolha de Vera Mantero, diz Henrique Amoedo, prende-se com o facto de ser “muito ousada, criativa e recorrer a diversas outras linguagens para fazer os seus espetáculos”.

O título surge de um dos bailarinos com deficiência intelectual. “Usar a própria linguagem deles para tentar passar algo”, diz o diretor. Quando leram, confessa, não perceberam, mas, com o tempo, chegaram ao que aquilo queria dizer, “pensando na voz da pessoa a falar aquilo, no sotaque, na articulação que faz das palavras”: vamos ao workshop da Vera Mantero.

O nome, porém, é “o menos interessante ou importante” para Henrique. O principal é o que está por trás disso: “usar a linguagem deles. Quase como se a gente não se apropriasse, mas integrasse aquilo que é deles na criação”.

A inclusão em cena

Há 20 anos, quando a companhia foi fundada, já existiam algumas iniciativas em Portugal, mas ligadas a diferentes instituições que trabalhavam com pessoas com deficiência. “Poucas com cariz artístico e com entrada no universo artístico mesmo”, afirma o diretor artístico. Hoje, isto é “muito mais comum”.

O importante destes espetáculos é “mudar a norma do que é o corpo em cena, aceitar diferentes corpos em cena, diferentes sensibilidades, diferentes formas de estar em cena, diferentes formas de raciocinar. Isso para mim é a síntese do que é a inclusão em cena”.

O Dançando com a Diferença tem conquistado espaços na programação artística, na programação normal do CCVF e, inicialmente, no Guidance. “Não são eventos ou programações que tenham a ver com a deficiência”, o que faz Henrique acreditar que têm conquistado outros espaços. “A principal caraterística, ou o principal ganho destes espetáculos é isso, mostrar para um público em geral que é possível fazer espetáculos com qualidade”.

O palco do CCVF parece ser uma “responsabilidade muito grande. Um espaço de excelência para dança, mesmo não sendo no Guidance. É a primeira vez que a gente se apresenta aqui, dá responsabilidade”.

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