EDUCAÇÃO: A PÁGINA NEGRA DOS MANUAIS GRATUITOS

Com a lei do Orçamento de Estado de 2019, todos os alunos do 1º, 2º e 3º ciclos e do ensino secundário passaram a ter direito aos manuais escolares gratuitos. E isso pode, a partir deste ano, representar efeitos negativos para livrarias e editoras. 

@Mafalda Oliveira/ Mais Guimarães

Pela primeira vez, todos os alunos das escolas públicas do 1º ao 12º ano terão direito a manuais escolares gratuitos. A medida, apesar de ser benéfica para os orçamentos familiares, terá efeitos negativos a longo prazo para livrarias e editoras.

Em Guimarães, os encarregados de educação podem escolher entre 10 estabelecimentos onde levantar os livros. É o caso da Livraria Ideal, que tem nos livros escolares cerca de 75% do volume de faturação. O proprietário da livraria, Filipe Caldas, teme pelo futuro das livrarias e editoras de todo o país, tendo em conta que os livros novos, adquiridos este ano, têm necessariamente de ser devolvidos às escolas nas melhores condições. “Este foi o último ano que as livrarias venderam livros escolares à séria. Para o ano, como não há novas adoções e as escolas já têm os livros reutilizados, corremos o sério risco de fecharem bastantes livrarias e haver despedimentos em massa, tanto nas livrarias como nas editoras”, antecipa.

Seja em livrarias tradicionais como em editoras, as vendas de obras literárias não serão suficientes para manter vivos os negócios de grandes editoras como a Porto Editora, considera Filipe Caldas. “Vai ser uma desgraça em termos sociais. Num caso como o nosso, com sete funcionários, não havendo livros escolares, terá que haver um reajuste para o futuro. Não há mercado em Guimarães para comprar livros literários”, lamenta.

Cristina Freitas, proprietária da Livraria Nova Sílabas Definidas, antecipa também dificuldades no futuro, pois “nos próximos dois ou três anos só vai haver trocas, o que vai ser mau”. “Só vamos trabalhar a 10%”, prevê.

Por sua vez, José Ribeiro, proprietário da Palivral-papelaria e Livraria acrescenta: “Não podem os andar neste esquema toda a vida. Os livros têm que ter um prazo curto. Se não, não temos hipóteses. Para o ano vai haver menos livros novos, por isso, vai correr menos bem”.

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