Entre a espada e a parede

Por Eliseu Sampaio,
Diretor do Grupo de Comunicação Mais Guimarães

Cá nos encontramos nesta situação muito particular das nossas vidas, no momento certo para utilizarmos esta expressão tão popular entre nós. Tenho falado aqui, regularmente, deste processo gradual de desconfinamento e da necessidade de se salvaguardarmos e conciliarmos tanto a saúde das pessoas com a economia e a saúde mental delas, que ficaram claramente em risco com o isolamento iniciado há mais de dois meses. Tanto num aspeto como noutro há já sinais alarmantes, a merecer toda a nossa atenção.

Desconfinamos de forma atabalhoada, adaptando-nos a uma nova realidade, visualmente marcada por máscaras, viseiras e fatos de proteção. É-nos difícil saber entrar agora nos locais que frequentávamos sem qualquer hesitação e onde agora nos obrigam a contagens e proteções excecionais. Reabriram os jardins-de-infância para os nossos meninos do pré-escolar. Pais em pânico não os levam ainda para as instituições, apesar de serem extraordinariamente assintomáticos e, muitas vezes, têm preferido entregá-los aos seus avós, colocando estes num risco maior. Deu-se uma maior margem aos restaurantes e espaços similares, podendo agora estes, com cuidados extra, encher as suas salas. Mas não enchem porque as pessoas têm medo, do vírus e de lhes vir a faltar o dinheiro. Reabriram ginásios e centros comerciais.

No Norte, esta semana, tivemos dias sem novos infetados, mas em Lisboa e no Vale do Tejo, o novo coronavírus espalha-se com rapidez e em expressiva escala. Já há festas e espetáculos, cirúrgicos, e outros incompreensíveis. Em Lisboa, onde a propagação está mais fugaz, no Campo Pequeno houve na noite desta segunda-feira um “Deixem o pimba em paz”, com Bruno Nogueira e Manuela Azevedo. Acho que nem comento, porque teria de fazer um trocadinho com aquele pimba, colocando algum sotaque, e sobre a gerrilha Norte/Sul que se tem reacendido com episódios tristes, como este. Trocadilho dispensável nesta altura, portanto.

Os indicadores de saúde são-nos favoráveis. Talvez agora, no Norte, em Guimarães, seja hora de termos a coragem e a força necessárias para derrubarmos a parede a que o medo nos colou.

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