ESPAÇOS DE CULTURA

por Joaquim Teixeira

Aquando da inauguração da escola de música, em Pevidém (onde se notou a ausência dos representantes dos partidos, com assento parlamentar municipal) dei comigo a pensar nos espaços/equipamentos culturais.

Lembrei-me de uma proposta, apresentada em sede de Assembleia Municipal, no âmbito da CEC 2012, que contemplava a construção de um centro cultural, equipado com auditório de 400/500 lugares, palco adequado para teatro, concertos, balet e outros tipos de espectáculos, camarins etc.

Estes centros culturais seriam construídos nas vilas de S. Torcato, Taipas, Ronfe, Pevidém e Moreira de Cónegos, consideradas equidistantes entre si e a cidade.

Os custos destes espaços seriam suportados, pela diminuição de construção no centro da cidade.

A proposta foi rejeitada e, passados quatro anos, temos espaços a mais, relativamente à necessidade de ocupação.

A sustentabilidade, de que tanta gente fala, está a custar caro à autarquia e o argumento de que, o governo central, devia transferir verbas, não invalida o facto de ser o contribuinte a pagar.

O centro cultural Vila Flor, mesmo com a construção da Plataforma das Artes, continuará a ser o espaço de excelência de Guimarães e, por conseguinte, tenderá a esvaziar os restantes equipamentos, por mais esforço que se faça, no sentido de os ocupar.

O número de habitantes de Guimarães, que fazem dela uma pequena cidade, não são e não serão num futuro próximo, suficientes para consumir cultura, a ponto de justificar tanto equipamento.

Por outro lado, não serão os cerca de cem mil, que habitam fora da cidade, a deslocarem-se ao centro da cidade, no intuito de tal consumo, salvo aquelas iniciativas de carácter mais popular, como Gualterianas ou Feira Afonsina.

A câmara adquiriu o edifício “Jordão”, equipou uma parte para instalar bandas de garagem e prepara-se para restaurar o restante para outras actividades.

Outro aspecto, que justificará a descentralização, está na mobilidade. Quantas vezes, com a realização contemporânea de eventos, se assiste a excessiva entrada de automóveis na cidade.

A capacidade criativa das inúmeras associações, espalhadas pelo concelho, aliada à falta de transportes públicos (especialmente à noite), faz com que, uma vila como a de Pevidém, salvo esforçadas e honrosas excepções, tenha uma actividade sociocultural, muito residual.

Pevidém, polo de interesse de várias freguesias, com uma sociedade musical de gabarito internacional, um orfeão de larga experiencia e um sem número de outras associações culturais, desportivas e sociais, merecia, como todas as outras vilas, atrás nomeadas, outro tipo de atenção, no que a espaços criativos diz respeito.

Resta a esperança de que, a promessa feita pela câmara, em reunião realizada em Pevidém, se concretize e se estenda ao resto do concelho.

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