Estava-se mesmo a ver que ia dar nisto!

Por Eliseu Sampaio.

Em Portugal contabilizamos nos últimos dias mais de 10 mil contágios diários. Nesta terça-feira atingimos também o recorde de 155 mortes em 24 horas, associadas à Covid-19. Os internamentos sobem, o número de pessoas em cuidados intensivos dispara também. As equipas de saúde estão cansadas, estamos todos cansados deste vírus. Queremos acordar para a vida, de novo.

Estamos à porta da pior fase da pandemia, espreitamos e não gostamos nada do que vemos. Queremos fechá-la, como se fosse possível, mas somos empurrados pela realidade, pelos números que atingimos e pelo anúncio da proliferação de novas variantes deste coronavírus que, não sendo mais prejudiciais à nossa saúde, se transmitem mais facilmente.

De pouco nos vale dizermos que já sabíamos que seria assim. Não dói menos por isso! Sabíamos de antemão que, com a chegada do inverno, com o tempo frio, com as pessoas resguardadas em casa ou dentro de edifícios, a proliferação do vírus ia acentuar-se.

E o que fizemos para prevenirmos males maiores? Pouco. Estivemos aquém do que devíamos ter feito.

O Governo fez-nos também a vontade, esquecendo naquele momento que um pai deve saber dizer não quando percebe que assim tem mesmo de ser. E ele sabia que um Não, redondo, ali, faria muita diferença. Achamos piada ao anúncio das compotas, pareceu-nos um modo “paternal” de entrarmos no espírito natalício. Foi um bom momento televisivo, descontraído qb.

Como filhos com a corda toda, e sangue a ferver-nos nas veias, desconfinamos e circulamos a grande velocidade na época festiva. O pai, sentado ali no banco ao lado, quando viu que exagerávamos, puxou-nos num ímpeto o travão de mão. Espatifamo-nos! Estava-se mesmo a ver que ia dar nisto.

No final desta breve história, como se isto devesse funcionar assim, o pai só quis ver como nos comportávamos.

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