Estudo de mobilidade imagina Guimarães num horizonte de 20 anos

O Município de Guimarães apresentou, na noite desta quinta-feira, dia 28 de abril, o “Desenvolvimento do Estudo de Sistema de Transporte Público em Via Dedicada”, um estudo desenvolvido por Álvaro Costa, numa sessão pública que decorreu na Sala de Conferências do Centro Internacional das Artes José de Guimarães.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães

Na sessão foram apresentadas soluções com o objetivo de promover uma maior utilização do transporte público no concelho de Guimarães. O estudo aponta opções de mobilidade sobretudo para a malha urbana e para a ligação às principais estradas nacionais que servem o território e ligam Guimarães aos concelhos de Vila Nova de Famalicão (N206), Braga (N101) e Santo Tirso (N105).

O estudo tem como propósito “auxiliar o executivo na definição da sua estratégia de mobilidade e transformação do território” e, simultaneamente, auxiliá-lo a “posicionar-se na captação de futuros financiamentos”, disse Domingos Bragança, presidente da câmara municipal.

Na apresentação foi abordada também a ligação de Guimarães à linha de alta velocidade cuja construção está a ser preparada pelo Governo no âmbito do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência, desconhecendo-se ainda o seu trajeto e a localização da estação que deverá surgir entre os concelhos de Guimarães, Braga, Famalicão ou Barcelos.

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Uma ligação à alta velocidade que foi ponderada neste estudo e que “poderá ficar assegurada”, disse Álvaro Costa, pela opção de ligação dos concelhos que constituem o Quadrilátero Urbano por metro de superfície, uma solução que foi defendida recentemente no encontro entre os presidentes das quatro câmaras municipais.

PARA REALIDADES DIFERENTES, DIFERENTES SOLUÇÕES

Para mitigar os problemas na circulação pela nacional 105, na ligação de Guimarães a Santo Tirso, e “não havendo possibilidade de alargamento das faixas de rodagem e grande parte da extensão da via”, foi apontado o reforço do serviço da ferrovia existente.

Anita Pinto, arquiteta urbanista da Trenmo, do gabinete de Álvaro Costa, reforçou que o “serviço atual não presta um bom serviço” e que por isso não é “competitivo com o automóvel”, sendo que um dos principais motivos é a localização de apeadeiros e estações “nas traseiras de unidades fabris”, ou afastadas das áreas habitacionais, “alguns de difícil acesso”, disse.

A solução poderá estar a “relocalização de alguns apeadeiros” e no melhoramento das acessibilidades. A arquiteta apresentou também a necessidade do reforço do serviço, dos atuais 16 serviços diários para os 54, com a ligação a Lousado, ficando os serviços ferroviários com uma cadência de 20 minutos, para além dos serviços de longo curso.

Para a nacional 206, que liga a cidade às vilas de Brito e de Ronfe, foi apontada como possibilidade a colocação de um sistema em canal dedicado de BRT, ao longo de 11 quilómetros, até à vila de Ronfe, existindo, segundo os técnicos, áreas em que isso é exequível, com exceção no atravessamento do rio Ave e na centralidade de Ronfe.

O BRT é um serviço de autocarros em via dedicada, exclusiva para o transporte público.

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Esta solução é também apontada para a ligação a Ponte e Caldas das Taipas, embora o atravessamento de Fermentões e Ponte (junto à rotunda para Prazins) sejam pontos difíceis pela “densa edificação” junto à estrada nacional.

Para esta ligação, na zona de Fermentões, os técnicos apresentaram também como possibilidade a construção de uma uma nova via para o trânsito automóvel (individual), ficando a via atual “onde estão as pessoas”, destinada à utilização do BRT.

MINIBUS SURGEM COMO OPÇÃO A CURTO PRAZO

Para o melhoramento da mobilidade na área da cidade foi apontado o Minibus como solução, “uma espécie de transporte coletivo porta a porta” disse Ana Pinto. Atualmente, a Guimarães tem já seis destes veículos em circulação na área da cidade. Uma aposta que também deverá ser reforçada nos “territórios de menor densidade”, frisou.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães

Para a ligação entre a Estação de Caminhos de Ferro, o Pavilhão Multiusos, o Hospital Senhora da Oliveira e a Universidade do Minho,  Álvaro Costa lembrou que, em algumas cidades europeias, embora de “diferente dimensão” o “teleférico urbano” tem sido a solução encontrada, tendo em conta também as características do terreno, nomeadamente um acentuado desnivelamento.

Uma opção que Domingos Bragança considerou não ser viável, pelo “elevado custo”. O presidente da câmara disse ver Guimarães a implementar “passo a passo” estas alterações no território, para “um período de 20 anos”. Colocou, no entanto, a possibilidade de, numa primeira fase, poder ser construída uma via dedicada para transporte público na ligação entre a vila de Pevidém e a cidade. Domingos Bragança lembrou ainda a importância do “fator inovação”, que é “premiado nas candidaturas a fundos europeus”, a que o município naturalmente, se candidatará.

Nesta apresentação pública foi também abordada a gratuitidade do transporte público como fator de incentivo à sua utilização. José Mendes, ex-Secretário de Estado, também presente, lembrou que “não há transporte gratuito”, e que todo o serviço “custa dinheiro”, reforçando ser, no entanto, importante que sobretudo os jovens “se habituem a utilizar o transporte público”. Domingos Bragança lembrou que o município, através de apoios “muito significativos” e isenções e vários programas, já facilita a utilização do transporte público a estudantes e idosos.

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