FUNCIONÁRIAS ACUSAM CASA DO POVO DE CREIXOMIL DE MAUS TRATOS

Um conjunto de funcionárias e antigas funcionárias da Casa do Povo de Creixomil acusa a instituição de uma série de comportamentos para com as funcionárias que as levam ao esgotamento físico e mental.

Segundo as funcionárias estes comportamentos abusivos para com as funcionárias serão premeditados e têm como objetivo afastar as pessoas que não estão de acordo com as medidas da direção. “Aquilo ali é trabalhar e calar, quem não estiver de acordo com elas come…”, afirma uma das funcionárias que agora se queixa. O principal alvo das reclamações destas funcionárias não é a instituição, de que dizem gostar e em que algumas delas até tiveram familiares, as queixas dirigem-se à presidente, Elisabete Machado, à diretora geral, Elisária Mendes e à diretora técnica Filipa Machado.

As quatro responsáveis compõem uma teia familiar difícil de imaginar numa Instituição Pública de Solidariedade Social, só comparável ao que se poderia encontrar numa pequena empresa familiar. Filipa Machado é irmã da presidente e cunhada de Elisária Mendes que, por sua vez, é prima de Joana, outra das técnicas da Casa do Povo. A presidente, casada com o presidente da Junta de Freguesia, não vê nada de anormal nesta acumulação de cargos por membros da mesma família. Questionada sobre os processos de seleção a presidente lembrou que, “a lei não nos obriga a concursos”. Elisabete Machado e Elisária Mendes defendem que estas pessoas ocupam os lugares por mérito e que se trataram de progressões internas.

As funcionárias, no entanto, queixam-se que as três responsáveis tratam a instituição como “se fosse o quintal delas”. A instituição tem valências de creche, pré-escolar, centro de atividades e tempos livres, centro de dia e apoio domiciliário. O centro de dia e do apoio domiciliário já no passado levantou um problema, que ainda corre nos tribunais. Alegadamente, a instituição estaria a contabilizar, para efeitos de apoio pela segurança social, os utentes de centro de dia como utentes de apoio domiciliário. A situação levou à retenção de verbas por parte da segurança social. Esta é uma das razões apontadas pela presidente para os constrangimentos financeiros.

Esta questão é importante na medida em que uma das queixas das funcionárias é a ausência de um dia certo para pagamento, e o pagamento faseado do salário. “Recebemos uma primeira prestação no início do mês e depois sabe-se lá quando recebemos o resto”, afirma uma das funcionárias, no que foi secundada por outras. A presidente não vê mal no caso e afirma que, “nunca receberam fora do mês”. Elisabete Machado justifica os atrasos com as retenções feitas pela segurança social. Outra das queixas das funcionárias prende-se com o pagamento do trabalho ao fim de semana, “sempre feito a dinheiro e sem qualquer documento”. A presidente e Elisária Mendes negam estas acusações. “Não há pagamentos a dinheiro a ninguém nesta instituição”, afirma Elisabete Machado. As funcionárias, porém, afirmam que além de receberem a dinheiro, “a partir de uma certa altura recebemos instruções para deixar de picar o ponto”. As funcionárias acrescentam que não são as únicas a receber a dinheiro, que também a enfermeira e a cabeleireira são pagas informalmente, em notas. As responsáveis negam, no caso da enfermeira afirmando que faz parte dos órgãos sociais e que presta trabalho voluntário e no caso da cabeleireira que faz trabalho pro bono.

Elisária Mendes afirma que, “os contratos de trabalho mais recentes já contemplam o trabalho ao fim de semana e que no caso dos mais antigos foram introduzidas adendas”. A técnica não explica o que acontece no caso de as funcionarias mais antigas não aceitarem as adendas. Relativamente ao valor pago aos fins de semana, a diretora técnica, afirma que é compensado com folgas, por isso não vem discriminado nos recibos o seu pagamento diferenciado.

As funcionárias queixam-se que quem não aceita os ditames da direção é tratado de forma desumana o que, inclusivamente, já levou a situações de depressão e de funcionárias, que mesmo tendo vínculos sem termo, preferem despedir-se. “É isso que elas querem, vencer-nos pelo cansaço, obrigar-nos a despedirmo-nos”, desabafa uma das colaboradoras. “Somos colocadas nos piores trabalhos permanentemente, falam connosco sem o mínimo respeito”, diz outras das funcionárias.

Elisabete Machado acredita que estas acusações têm origem na luta política. “A questão foi a saída da esposa do Rui Barreira, a Carla Guimarães”, acusa a presidente. Segundo Elisabete Machado, Carla Guimarães foi imposta como diretora técnica por um anterior presidente, Armindo Lopes, como contrapartida para a obtenção de um subsídio (70 mil euros) junto do então ministro Bagão Félix. “A Carla não sabia gerir recursos humanos, não sabia gerir fornecedores, não podia ser diretora”, afirma a presidente que acrescenta que Carla Guimarães não tinha habilitações para o cargo e que, “o assunto ia sendo contornado com boa vontade junto da segurança social”.

Carla Guimarães acabou por ser despedida, já depois da presidência de Armindo Lopes, pela então tesoureira Elisabete Machado, numa altura em que estava grávida de cinco meses. Armindo Lopes confirma a influência que exerceu junto de Bagão Félix para obter o subsídio que permitiu o lançamento do centro de atividades de tempos livres, mas recusa que Carla Guimarães tenha sido imposta à instituição. “Houve um processo de seleção ao qual ela se apresentou, como outras pessoas e ela era a que tinha melhor currículo”, diz sobre o assunto o antigo presidente. “O que Elisabete Machado queria era colocar a sua irmã que tinha acabado o curso naquela altura e isso não podia ser”, acrescenta Armindo Lopes. Filipa Machado é atualmente a diretora técnica, ocupando o cargo que era de Carla Guimarães.

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