Gonçalo Fernandes: “Não consigo colocar em palavras esta paixão”

Gonçalo Fernandes, de apenas 20 anos, sagrou-se campeão nacional de rallys na categoria de juniores, no ano de estreia na competição. Ex praticamente de futebol, tendo passado pelos Afonsinhos e Amigos de Urgeses, o jovem piloto, natural da Costa, explicou à Mais Guimarães, a paixão pelos carros. O executivo municipal reconheceu o mérito e presenteou Gonçalo Fernandes com um voto de louvor.

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Como nasce a paixão pelos carros?

Gosto de carros desde que me recordo. O meu pai sempre me incentivou e sempre me levou a eventos de automóveis. Desde pequeno que vou à Exponor ver os clássicos e, cá em Guimarães, sempre fui ver a Rampa da Penha. Não consigo colocar em palavras esta paixão, mas os carros sempre foram uma paixão. Fazer o que estou a fazer de momento, sempre foi um sonho meu.

E como surgiu a oportunidade?

Nos últimos anos estive a praticar. Nunca tive competição, mas como tinha um kart fui praticando. Depois, através de um simulador, também fui trabalhando. Sei que há muitas diferenças entre o simulador e a vida real, mas adquiri algumas bases. Com a ajuda da família, patrocinadores, do Pedro Meireles, do Jorge Henriques e da equipa Racing 4 You, consegui construir um projeto.

Qual é o papel do Jorge?

Muito importante. Como costumo dizer, é ele que conduz o carro, quase. Está ao meu lado, mas indica-me tudo o que envolve um rally. Ensina-me como me comportar ao entrar no carro, como me concentrar, como estar focado nos reconhecimentos, entre muitas outras coisas. Durante a prova, onde ele vê que estou a perder a concentração, chama-me à atenção.

E no ano de estreia, acabas por ser campeão nacional de juniores. Um feito que não estava perspetivado?

Certo. Não entramos no campeonato a pensar que íamos ganhar. O objetivo era chegar ao fim de todas as provas, adquirir o máximo de conhecimento, porque é um desporto de experiência. E são necessários muitos quilómetros para evoluir. Aliás, o primeiro rally que fizemos, em Vieira do Minho, numa prova para ganhar ritmo, a prova até nem correu bem. Tivemos problemas na terceira mudança e não continuamos.

Já é campeão nacional, mas ainda há uma prova para disputar, em Viana do Castelo. Quais são as expetativas?

Infelizmente não vou ter o Jorge ao meu lado. Será diferente e vou fazer a prova com o Fernando, com quem já tenho alguma afinidade. É tentar fazer uma prova sem riscos demasiados, mostrando que quando me sinto confortável no carro e as coisas começam a sair, consigo fazer tempos comparativos a pilotos que têm o triplo ou mais experiência do que eu.

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Tens o apoio do teu pai. E da tua mãe?

No início não gostava da ideia. Mas sabe o que significa para mim e, cada vez mais, vai achando piada. Atualmente, já vai ver as superespeciais. Ainda treme, mas está a habituar-se.

Objetivos para a próxima época?

Será correr nas duas rodas motrizes. Basicamente é com os mesmos carros. O que muda, e o que vamos tentar implementar, é tentar correr com todos da mesma classe, mas ao mesmo tempo fazer os juniores. Ainda vamos falar com a federação.

O futebol fez parte da tua vida?

A minha paixão são os carros, mas tenho muito respeito pelo futebol. E tem uma coisa que não há nos carros, que é o balneário. Nunca vou esquecer os amigos que criei para a minha vida. Passamos muito tempo juntos e o sentido de coletivo, a lutar pelo mesmo objetivo, foi a parte que mais gostei.

Voltando aos carros, qual o sonho para cumprir?

O céu é o limite. Um sonho já foi cumprido e o próximo, embora ainda esteja distante, será ganhar em duas rodas motrizes. Quando esse for cumprido, falaremos no próximo.

Tens algum piloto que admires?

Nas pistas sempre foi o Lewis Hamilton. Desde que entrou na Fórmula 1 que é um ídolo para mim. Acho incrível o que ele faz com o carro. Vai ser sempre um dos melhores do mundo.
Não foi da minha geração, mas tenho um respeito enorme pelo Ayrton Senna. De tudo o que já vi e de tudo o que a minha família me transmitiu, foi sem dúvida um grande piloto.
Nos rallis, sem dúvida Sébastien Loeb. É incrível ver o que está a fazer no WRC. E o Kalle Rovanpera, que ganhou o Campeonato do Mundo. É muito inspirador e tem um talento incrível.

E os estudos?

Comecei em Economia em Coimbra, mas sempre quis Gestão e fiz a transferência. Pretendo, no futuro, ajudar o meu pai nas empresas dele e, posteriormente, abrir a minha empresa. Mas não tenho uma área certa de momento.

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E dá para conciliar?

Não é fácil, mas é possível conciliar. Um rally retira muito tempo, mas com um estudo adiantado e uma boa programação, acho que é possível arranjar tempo para as duas coisas.

Superstições?

Antes do troço, 30 segundos antes, eu e o Jorge fechamos a porta do carro. 20 segundos antes dou duas palmadas no capacete, 15 segundos antes bato três palmas, 10 segundos antes meto a primeira e, faltando cinco segundos, começo a colocar o pé a fundo até arrancar.

Fisicamente, é desgastante?

Bastante. E obriga-me a fazer muito cardio. E tive de perder peso para uma melhor adaptação. Dentro do carro e com o fato, o calor é enorme e suamos muito. E às vezes ficamos desidratados e perdemos o foco. O pior momento é quando paras o carro. O cansaço chega de uma vez só.

E arranjar patrocinadores? Tem sido fácil?

Tem sido difícil. Mas depois de termos conseguido o título, acredito que vai abrir mais portas. Temos de continuar a trabalhar e mostrar que somos rentáveis a alguns patrocinadores.

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