Guimarães Jazz faz 30 anos e convoca os amantes para a celebração

Em novembro, Guimarães é “seguramente, a capital do jazz em Portugal”. Quem o disse foi César Machado, representante da Associação Convívio, agora presidida por Carlos Jordão, na conferência de imprensa de apresentação da 30ª edição do Guimarães Jazz.

A conferência decorreu na manhã desta terça-feira, dia 26 de outubro, e o festival jazzístico vimaranense decorre entre 11 e 20 de novembro.

Foto: Eliseu Sampaio/Mais Guimarães

Ricardo Freitas, diretor executivo da cooperativa A Oficina, que em colaboração com a Associação Convívio dinamiza o festival, lembrou a  importância da realização do certame no ano passado, em 2020, apesar de todas as incertezas e mudanças que tiveram de ocorrer.  “Nem a pandemia nos parou” e conseguimos realizar a 29ª edição e estar agora a festejar as 30 edições “ininterruptas” do Guimarães Jazz, destacou aquele responsável.

César Machado, da Associação Convívio, realçou as “três datas redondas” que merecem ser celebradas este ano: Os 30 anos do Guimarães Jazz, os 60 anos da Associação Convívio e os 10 anos da Escola de Jazz do Convívio, cuja atividade foi suspensa mas que será retomada “até ao final do ano”.

Em Guimarães “temos algumas marcas ligadas ao Jazz que são filhos do Guimarães Jazz”, disse também César Machado, referindo-se inicialmente à Escola de Jazz do Convívio. “Somos uma das poucas cidades do país que tem uma Escola de Jazz, o que não seria possível sem este festival. Um festival que também tem “influência na programação regular do Convívio”, lembrando que Guimarães “integra o Dia Internacional do Jazz, que se realiza em mais de 200 cidades pelo mundo e é “patrocinado” pela Unesco”, bem como o festival “O Verão é Jazz”.

Mas, reforça, o “mais importante é o público. A cidade tem a dimensão que nós conhecemos, mas que se torna muito maior durante o Guimarães Jazz”. Provavelmente, para aquele dirigente, este “é o evento cultural que mais abre as nossas fronteiras, e a parceria mais bem sucedida de todas as que foram sido tentadas entre a Câmara Municipal e as associações, agora através da Oficina”.

Durante o Guimarães Jazz, “Guimarães é seguramente a capital do jazz em Portugal e é um festival de referência para além das nossas fronteiras”, diz César Machado, acrescentando que, no panorama nacional, este é o festival que presta o “melhor serviço publico à causa do jazz”, e para o Convívio, “o momento de festa da casa, o momento mais alto do ano”.

Foto: Eliseu Sampaio/Mais Guimarães

Paulo Lopes Silva interveio inicialmente na qualidade de novo presidente da direção da Oficina, dizendo esperar que “os 30 anos do Guimarães Jazz sejam o momento da atividade cultural “permanente e regular” voltar em pleno, “com toda a intensidade, com toda a vontade e toda a alegria”.

Numa das suas primeiras intervenções também como novo Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Guimarães, Paulo Lopes Silva destacou o “não ser fácil encontrar paralelo no panorama nacional de festivais artísticos” esta “vitalidade e longevidade”, falando do Guimarães Jazz e também dos 60 anos da Associação Convívio, que “ao fim de 60 anos de história continua a rejuvenescer-se e a apresentar propostas diferenciadoras para o território, colaborações que enriquecem o nosso panorama cultural”, disse.

Paulo Lopes Silva destacou também a importância do festival na ligação aos agentes locais, em especial com a orquestra de Guimarães, no “aprofundamento da capacitação dos músicos vimaranenses e do surgimento de músicos de jazz em Guimarães com mais frequência, com mais intensidade, e com a capacidade de criarem carreiras a partir de Guimarães para o mundo”.

“Não é fácil encontrar paralelo no panorama nacional de festivais artísticos, esta vitalidade e longevidade”

Paulo Lopes Silva, vereador da Cultura

O vereador da Cultura falou ainda da abertura, “em breve”, do Teatro Jordão e da instalação naquele espaço do Conservatório de Guimarães, e da importância do Guimarães Jazz do ponto de vista “turístico e económico”, que não sendo “o essencial quando fazemos as coisas, mas é importante que assim seja”, disse. “É um periodo em que os restaurantes funcionam com maior intensidade, em que os hotéis estão mais cheios, em que os bares têm mais resposta. Traz outra vida que a cidade precisa, e a cidade quer”. Terminou Paulo Lopes Silva.

Foto: DR

Ivo Martins é de novo o diretor artístico do Guimarães Jazz e referiu, na sua intervenção, que o festival “vive uma era diferente, determinada por uma alteração profunda, embora silenciosa, de paradigma”.

Nestas três décadas de existência do festival, “fizemos de tudo”, conta Ivo Martins, colocando em prática “visões utópicas e disruptivas, tendo fracassado e acertado, recuperado e aperfeiçoado algumas delas”, sendo este processo “natural”.

Na sua edição de 2021, Ivo Martins destaca a “equidade qualitativa e mediática” das propostas musicais apresentadas. A ausência de aquilo que se costuma designar por “grandes figuras” ou “cabeças-de-cartaz” é, no entanto, contrabalançada pela apresentação de um “grupo coeso de projetos em que pontificam alguns dos nomes essenciais do jazz global contemporâneo”.

Foto: DR

Esta edição do Guimarães Jazz, voltam a repetir-se as parcerias com a associação Porta-Jazz (assumida este ano por um quinteto liderado pela performer Inês Malheiro, em colaboração com a artista Carolina Fangueiro) e com o coletivo Sonoscopia (que propõe o duo de improvisação formado por Henrique Fernandes e Joana Sá), será finalmente encerrado, como é habitual, por uma orquestra. Neste caso, caberá à Frankfurt Radio Big Band, que regressa a Guimarães para um concerto dirigido pelo diretor musical e arranjador Jim McNeely e em colaboração com a saxofonista chilena Melissa Aldana.

O Guimarães Jazz 2021 decorre de 11 a 20 de novembro e tem um orçamento de 165 mil euros.

Os bilhetes para o festival podem ser adquiridos nos locais habituais. O passe, válido para todos os concertos, tem o custo de 90 €. Há ainda, bilhetes para conjuntos de três e quatro concertos ao preço de 35 e 45 euros, respetivamente.

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