GUIMARÃES QUER BRINDAR AO ENOTURISMO

Município quer dinamizar relações entre o setor dos vinhos, a restauração e o turismo. Mas há um problema “interno” a resolver, alerta produtor.

No dia 29 de janeiro, no Santa Luzia Arthotel, a Divisão de Turismo promoveu reuniões de negócio. © CMG

Há uma rota de vinhos verdes “adormecida” que pode despertar com a aposta da Câmara Municipal de Guimarães no enoturismo — que se integra na Estratégia Turística 2019/2029 do município. No dia 29 de janeiro, no Santa Luzia Arthotel, a Divisão de Turismo promoveu reuniões de negócio, nas quais participaram três dezenas de proprietários de restaurantes em Guimarães, bem como representantes de Quintas Vinícolas.

Hugo Fontão, produtor de vinhos em Guimarães que participou no evento, diz ao Mais Guimarães que esta é “uma excelente aposta da Câmara Municipal”. Porque, como carateriza, existe uma comissão e uma rota de vinhos verdes “perdidas” e, repetindo-se o adjetivo inicial, “adormecida”. Na sua opinião, tal acontece, em parte, porque “falta abertura por parte dos comerciantes”. O produtor de vinhos explica, através de um exemplo prático: “Quando vou a um restaurante em Guimarães, não é costume haver vinhos de Guimarães na carta. Quando se pede uma recomendação, geralmente, serve-se um maduro.” E por que razão? “Porque os vinhos verdes são desvalorizados. Cada vez menos, sim, mas são. Se formos a um restaurante na zona do Alentejo ou do Douro, encontramos vinhos verdes de lá. Aqui, nem por isso”, reforça.

A Estratégia Turística, que aponta inúmeras ações e medidas para o espaço de uma década, foi apresentada em setembro do ano passado. E não assenta só na “garra vimaranense”. No evento da passada quarta-feira, a vereadora do Turismo, Sofia Ferreira, destacou a importância da “diversificação da oferta turística, através de produtos locais, no sentido de minimizar a sazonalidade da procura turística, bem como fixar o turista no concelho de Guimarães, entre outros, garantindo a participação dos stakeholders locais”.

Ou seja: uma participação “de todos”, como salienta Hugo Fontão. “Enoturismo não é só produção de vinhos. É um trabalho de todos, é preciso passar informação. Temos de envolver as pessoas, mostrar os vinhos ao ar livre, em plena cidade. Dinamizar a coisa. Acredito que é este o caminho que temos de fazer. Se o fizermos de mãos dadas, é mais fácil”, opina. E iniciativas destas não podem ficar por aqui: “Não nos interessa se, no dia a seguir, batemos à porta de um restaurante e só vemos vinhos de ouras zonas. Tem de existir uma união geral: se há bairrismo para umas coisas, tem de haver para outras, de forma a valorizar tudo.”

“Há que perceber o que é vinho”

Ainda que Guimarães não tenha o peso histórico e cultural no que aos vinhos diz respeito que o Douro e Tejo carregam, Hugo Fontão defende que há mais a corrigir, não se refugiando na inevitabilidade do tempo — e no que o mesmo pode fazer por uma região: “Os vinhos verdes são vistos como vinhos baratos; sendo barato, associamos que é fraco. Há vinhos do Tejo e do Douro que são baratos, também. Há que perceber o que é vinho. Temos de perceber que há produtores que dedicam a sua vida a uma vinha e esse trabalho tem de ser recompensado.”

Por isso, na sua opinião, quando as pessoas visitarem Guimarães para a prática de enoturismo, será primordial apostar, então, no que se faz nas vinhas do concelho. Porque, “no estrangeiro, são valorizados”. “É um problema mais interno. As pessoas valorizam o vinho verde noutras zonas, temos vinhos medalhados. Cá em cima, nem por isso. Eu não posso apontar, ao certo, qual a essência do problema, mas sei que ele existe. E que as coisas ficaram adormecidas”, diz o produtor de vinhos.

Hugo espera, contudo, que as ideias se concretizem. É que o projeto “Enoturismo em Guimarães” quer possibilitar uma experiência vínica e gastronómica, a qual se traduz ainda em visitas guiadas às adegas com prova e compra de vinhos, e até a participação nas atividades agrícolas e nas vindimas ou mesmo a dormida em algumas destas quintas vinícolas. E isso pode ajudar Guimarães a chegar ao ponto menos “conseguido” na avaliação da Bloom Consulting, revelada aquando da apresentação da Estratégia Turística: tornar a visita ao município “uma experiência única”.
Para que Guimarães atinja o sucesso é importante, para Hugo Fontão, que se continue a apostar no que é “pertinente”. E eventos como o de quarta-feira podem ser o primeiro passo, bem como a regularização da produção vinícola, para que este setor produtivo prospere ainda mais.

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