HÁ “ASSÉDIO MORAL” NA POLÍTICA VIMARANENSE?

O tema surgiu na passada reunião camarária, na discussão sobre o estatuto da oposição. Bruno Fernandes falou em assédio moral e político aos autarcas do concelho que não são socialistas. Domingos Bragança não aceitou o termo e garantiu que essa não é uma prática da autarquia. Depois desse momento, um Presidente e um ex-Presidente de Junta comentaram o assunto. Aqui ficam as suas histórias.

Na discussão de um ponto acerca do estatuto da oposição, que constava na Agenda da reunião do Executivo desta quinta-feira, dia 14 de março, Bruno Fernandes, vereador do PSD, referiu que existiu “assédio moral e político” por parte de assessores socialistas, para que presidentes de Junta da Coligação Juntos por Guimarães se candidatassem posteriormente pelo PS, dando o exemplo de Patrício Araújo, Presidente da União de Freguesias de Atães e Rendufe.

“Estamos a analisar o estatuto da oposição relativamente ao passado e o que quis trazer foi um exemplo concreto do mandato anterior. Este é um tema difícil, sabemos disso. Quantos presidentes de Junta, ao longo de 30 anos, foram eleitos nas listas da oposição e depois foram eleitos e candidatos pelas listas do Partido Socialista? O assédio é muito claro. Quem distribui os investimentos diz que é muito mais fácil se estiver daquele lado. Se assumir o compromisso de ‘virar’, terá a obra. Isto é inaceitável. Deixamos claro que reprovamos essa imoralidade”, referiu o líder do PSD de Guimarães.

O uso da expressão “assédio moral” foi justificado pelo vereador. “Quis trazer como metáfora daquilo que é feito. Se virem na definição, significa o superior exercer pressão sobre o subordinado. As Juntas não dependem diretamente da Câmara Municipal, mas dependem diariamente. Ou seja, tudo o que é feito é com autorização ou por atribuição por parte da Câmara. O que trouxe foi o exemplo de um presidente de Junta que assumiu isso publicamente. Isso está escrito”, sublinhou Bruno Fernandes.

Domingos Bragança não aceita que o termo “assédio moral” seja associado à autarquia vimaranense. “Obviamente que não aceito que se use esta expressão. Assédio moral não existe aqui na Câmara. Depois o vereador corrigiu para assédio político, que também não gostei, mas aceito o conceito. Agora, assédio moral não aceito”, apontou, deixando a resposta para o Presidente mencionado na reunião camarária, Patrício Araújo.

Em declarações ao Mais Guimarães, Patrício Araújo, Presidente da UF de Atães e Rendufe, negou ter sofrido de assédio moral. “Foi uma situação de impulsão e não de fidelização partidária. Nunca tive pressão de ninguém, nem sei sequer em que ponto é que isso surgiu. Eu percebo a preocupação da oposição. A gestão do PSD de Guimarães tem sido um bocado intermitente, e é normal que o doutor Bruno dê uns recados para dentro. A preocupação do PSD é que isto não volte a acontecer, porque senão depois não têm candidatos. Toda a gente sabe que eles têm uma dificuldade tremenda em arranjar candidatos”, referiu o autarca.

Patrício Araújo justificou ainda a sua passagem do PSD para o PS com a proximidade que Domingos Bragança tem com os presidentes de Junta. “É impossível as pessoas não acreditarem neste Presidente e no projeto que ele tem para Guimarães. Deixo-vos o desafio: questionem os Presidentes de Junta sobre o que têm a dizer sobre este Presidente de Câmara. Façam uma comparação entre o passado e o presente. Qualquer Presidente de Junta se sente confortável com este Presidente de Câmara”, concluiu.

À redação, chegou-nos ainda o testemunho de Joaquim Castro, anterior Presidente da Junta de S. Martinho de Sande. O ex-autarca quis contar a sua história, que remota a 2009, quando ganhou as eleições autárquicas. “A freguesia era do Partido Socialista, e eu inclusive tinha sido presidente da Assembleia do PS, mas abandonei a política. Abandonei entre 2005 e 2009. Regressei com um projeto do PSD. Na altura, senti que era necessário mudar a freguesia. O PS tinha maioria, mas acabei por ganhar com maioria absoluta”, referiu.

Pouco depois, Joaquim Castro mencionou que as propostas para regressar ao PS foram surgindo. “Tive uma visita do Carlos Oliveira, secretário do Presidente, na presença da candidata do PS, que saiu derrotada. Ele abordou-me para concorrer nas próximas eleições pelo PS. Disse que iam fazer umas obras na freguesia. Disse-lhe para fazer as obras e que depois falávamos, porque o que eu queria era obras feitas”, contou. “Entretanto, no ano em que o Ricardo Costa concorreu à Câmara, em plena concentração nas Taipas, ele e o João Ribeiro, abordaram-me para liderar a lista do PS.

Disse-lhe que a Câmara tinha prometido muitas obras e que ainda não tinha feito nada. Ele disse que se aceitasse que me fazia obras, que teria autonomia para o fazer. Eu recusei. O Luís Soares também me abordou nesse sentido, mas recusei. Depois disso, no gabinete da presidência, o presidente da Câmara pediu-me para regressar ao PS, para fazer umas obras”, referiu.

O ex-autarca garante que estas situações são recorrentes. “Não é verdade quando o Patrício diz que não foi abordado. Somos todos abordados. Perdi as eleições precisamente pelas trafulhices, mentiras e calúnias”, concluiu Joaquim Castro.

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