Homem perde parte do pé esquerdo e alega negligência no Hospital de Guimarães
Um homem de 52 anos teve parte do pé esquerdo e dos dedos amputados no início de fevereiro, após alegada falta de atendimento urgente no Hospital de Guimarães. A família apresentou queixa à Entidade Reguladora da Saúde (ERS), fez uma reclamação junto do hospital e promete apresentar também queixa no Ministério Público. A Unidade Local de Saúde do Alto Ave abriu um processo de averiguação interna.

© Eliseu Sampaio/ Mais Guimarães
Segundo relato da filha do paciente, Helena Pinheiro, à SIC, o pai dirigiu-se ao posto médico no dia 28 de janeiro, queixando-se de pé esquerdo inchado, frio e com dores fortes.
No posto médico, o médico disse, adianta a filha, que “que era melhor ele ir para o hospital, porque tinha de fazer um exame. Dirigimo-nos ao hospital, eles deram uma pulseira amarela, o médico tinha passado uma carta a explicar que suspeitavam de uma isquemia crónica aguda”.
No Hospital de Guimarães, o homem, diabético, com insuficiência cardíaca, histórico de amputação e doença arterial periférica, foi atendido por um médico que alegadamente considerou não haver urgência para cirurgia vascular. Segundo a filha, o profissional teria ligado para o Hospital de Braga em busca de orientação, mas terminou a chamada afirmando que a condição “provavelmente era do frio” e recomendou agasalhar a perna e tomar analgésico.
Apesar da persistência das dores, o utente regressou à unidade hospitalar no dia 2 de fevereiro, quando lhe indicaram que deveria ser visto por cirurgia vascular em Braga. Porém, ao chegar, as urgências da especialidade já estavam encerradas e foi informado que teria de esperar até ao dia seguinte.
No dia 3 de fevereiro, após avaliação em Braga, foi-lhe dado encaminhamento para internamento em Guimarães, onde um médico informou que a melhor possibilidade era amputar parte do pé, enquanto a pior hipótese seria a amputação da perna. Helena Pinheiro afirma que “havíamos de ter ido mais cedo, mas mandaram-nos embora, porque era do frio”, acrescentando que, nessa altura, “ninguém falava em restaurar a circulação ao pé”.
A intervenção cirúrgica para remoção de um coágulo ocorreu a 5 de fevereiro, não sendo possível salvar parte do pé esquerdo e dos dedos.
Em resposta, a Unidade Local de Saúde do Alto Ave, da qual o Hospital de Guimarães depende, afirmou que, “tendo tomado conhecimento da situação reportada, abriu um processo de averiguação interna”.





