Investigador da UMinho traça perfil do editor da Wikipédia

Pedro Rodrigues Costa, investigador no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho, acaba de traçar o perfil dos editores da Wikipédia em português.

Quem são os responsáveis pelos conteúdos que lemos na Wikipédia em língua portuguesa? Quantos são? Quem é responsável? O que leva os voluntários a contribuírem?

É a perguntas como esta que o estudo, inédito, de Pedro Rodrigues Costa procura responder. Para o investigador, “num tempo em que tanto se discute sobre fake news, pós-verdade e confiança na informação, estudar e perceber como funciona e quem alimenta esta rede colaborativa poderá dar pistas sobre como se instalam socialmente as verdades”.

De acordo com este estudo, ainda em fase de execução, já é possível fazer um retrato do criador e editor dos verbetes da Wikipédia em língua portuguesa. Em fevereiro de 2021, estavam ativos, com pelo menos uma edição nos últimos 30 dias, 10.819 editores. Mais ou menos pela mesma altura, com cinco edições no último mês, estavam ativos 2,817 editores. A média de editores com cinco ou mais edições é, desde 2003 a 2020, de cerca de 1.500.

Estes criadores e editores são, na esmagadora maioria, do sexo masculino (84,6%). Na grande maioria são brasileiros a editar a partir do Brasil (70,4%), seguidos de portugueses a editar em Portugal (23,9%), os restantes 5,7% são de Angola, Moçambique, Galiza, EUA, Venezuela ou da Alemanha.

O grupo etário mais representado é o dos 18 aos 24 anos (29,4%), segudo dos 25 aos 34 (27%), os 35 aos 44 (20,9%). Os mais jovens, entre os 11 e os 17 anos, representam 11%. A faixa entre os 50 e 65 anos também dá a sua contribuição, representa 9,8%. Aqueles com mais de 665 anos, são os menos representados, com apenas 1,8%.

Relativamente aos níveis académicos, o estudo conclui que 26,4% tem licenciatura, 17,8% bacharelato, 11% mestrado, com doutoramento ou pós-doutoramento são 9,2%. Com o ensino secundário encontram-se 19,6%, com ensino técnico ou profissional 7,4% e com o ensino preparatório 3,7%.

“São preocupantes duas questões logo à partida: uma desproporção no género, em que a participação das mulheres é demasiado baixa (12,9%), e uma desproporção na nacionalidade dos editores, onde 94,3% são de nacionalidade brasileira e portuguesa”, aponta o investigador.

Atualmente a Wikipédia lusófona conta com mais de um milhão de páginas de conteúdo e a língua portuguesa é a 18ª mais utilizada na maior enciclopédia online do mundo.

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