Já tínhamos saudades suas!

Por Eliseu Sampaio.

A última edição da Mais Guimarães com cheiro a tinta fresca saiu em março deste ano. Poucos dias depois, vimo-nos confinados às nossas habitações, levados a recuar no espaço que habitualmente ocupávamos, imensamente maior, imensamente vasto. De uma vida sem limites e poucas restrições, fugimos apressadamente para casa, fechamo-nos, trancamo-nos, corremos do mundo. Fugir, fechar, trancar eram verbos menores, que pouco ousávamos utilizar.

Escondermo-nos assim pode não ter sido necessariamente mau. Talvez, este tempo incerto, encoberto, de introspeção forçada, tivesse um propósito, um desígnio.

Nos meus ricos anos de vida nunca percebi serem tão amiúde utilizadas e valorizadas expressões e manifestações como o amor, a família, a amizade ou o respeito. Não sabia, mas agora sei, o quanto e quantos estão disponíveis para ajudar outros, sendo solidários, abrindo as mãos, dando abraços tão fortes sem se tocarem, sem braços, com coração.

Nos olhares vemos medo ainda, de um futuro demasiado incerto. Mas vemos esperança também, a fé de em breve podermos retomar as vidas que deixamos lá atrás, em março. E cimentados nas nossas histórias e neste momento de aprendizagem singular, construirmos um futuro melhor do que aquele para que caminhávamos, que percorríamos sem questionar, sem procurar entender, apenas caminhando sobre a espuma dos dias que passavam, velozes e cadenciados.

Tenhamos a coragem de conferir um novo ritmo às nossas vidas, sendo mais luz da manhã, e mais lua cheia, cujo brilho trespasse nuvens e transporte felicidade maior aos que nos rodeiam, e com quem partilhamos este momento. Sejamos todos um pouco mais.

A Mais Guimarães, a Revista da Cidade Berço, volta este mês ao papel, ao contacto com os leitores que continuam a preferir este contacto, físico, com as coisas. Já tínhamos saudades suas.

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