LÍDIA PEREIRA: A MENSAGEM EUROPEIA É MUITO COMPLEXA”

Com 27 anos, é a número dois do PSD para as Eleições Europeias. Considera a sua nomeação como um sinal de abertura do partido e assume ser uma grande responsabilidade “levar a juventude aos ombros”. Para Lídia Pereira, a mensagem europeia é bastante complexa, tal como a composição das suas instituições, motivo que pode ser decisivo para os elevados valores de abstenção que se têm registado.

Que importância considera que tem para os jovens ver um rosto de 27 anos como número dois nestas eleições?
A minha nomeação na lista é um sinal de abertura do partido à juventude e às novas gerações. Nós ouvimos muito que a juventude não está envolvida e há aqui um sinal de preocupação e confiança e é uma grande responsabilidade para mim levar a juventude “aos ombros”.

E sente essa responsabilidade também no sentido de levar os jovens a votar?
Sim. Eu acho que é, e especialmente numas Europeias, fundamental. Eu represento a geração que já nasce sem fronteiras, que já ouviu falar do Erasmus e que tem uma série de oportunidades de integração europeia de que, por exemplo os nossos pais, não beneficiaram. É uma oportunidade para tentar combater a abstenção jovem. Em 2014, apenas 19% dos jovens votaram nas Europeias, o que é um número manifestamente pequeno para uma geração europeísta e que se revê no projeto Europeu. Esse é um desafio, um desafio difícil, mas tudo faremos para o conseguir e estou motivada para isso. Estou confiante de que vou fazer uma boa campanha.

Imaginava com 27 estar já numa posição destas a nível político?
Eu há cinco anos não pensaria que em 2019 estaria a concorrer às Europeias, ainda por cima como número dois. Esta indicação e esta aposta do partido nos jovens não estava planeada, mas não nego que a Europa me diz muito. Se olharmos para o Parlamento Nacional, por norma há jovens nas listas mas, se recuarmos no tempo, depois da revolução, os políticos eram todos jovens e esta talvez seja a oportunidade para voltar a isso.

Quais são as principais ideias do partido para estas eleições?
As principais ideias são coisas concretas e realistas. Não vamos apresentar coisas absolutamente inconcretizáveis. Aquilo que o PSD propõe, para a juventude, divide-se em três eixos: a questão do primeiro emprego, com o Eures, que é um portal em que se podem pesquisar ofertas de emprego noutros países, com o apoio da União Europeia. É um programa que foi iniciado pelo PSD, em 2009, e que ao longo dos anos se materializou em algo mais robusto. Aquilo que achamos necessário é alargar a base e o alcance para todos os jovens, dar a conhecer porque é pouco conhecido ainda. Este programa dá algum apoio financeiro para fazer face às primeiras despesas e a nossa proposta é mesmo consolidar o programa. O outro eixo é o reconhecimento do Gap Year através do Corpo Solidário Europeu, porque temos cada vez mais jovens interessados em fazer voluntariado noutro país. Aqui há a possibilidade de haver este reconhecimento, porque são competências que se adquirem com o voluntariado, seja em que área for, e nota-se que os jovens têm essa preocupação. O terceiro é o interrail, com o Discover You, que agora está integrado no Erasmus e atribui passes a jovens que faça 18 anos. O que nós achamos é que se deve alargar até aos 30, para dar a todos a possibilidade de conhecermos a Europa, outras nacionalidades, falarmos línguas e valorizarmos o que de bom temos na Europa.

Para além destes três eixos voltados para a juventude, há outras propostas que sejam destaque, ou a campanha é sobretudo voltada para os jovens?
Eu gostaria de me debruçar nas questões da transparência, combate à corrupção, nas alterações climáticas e no ambiente. Temos uma carrinha “Pão de Forma” a percorrer vários pontos do país e, como vamos percorrer muitos quilómetros, o meu compromisso é, por todos os quilómetros feitos e emissões de CO2, dar de volta ao ambiente com plantação de árvores e compra de créditos de carbono. Vamos mitigar a nossa campanha.

A abstenção nas Europeias tem sido elevada. Como considera que os portugueses olham para as eleições?
Eu acho que os portugueses olham de forma diferente para as legislativas e acho que a mensagem europeia é muito complexa, até pela própria composição das instituições e pela forma como todos interagem. A dificuldade é comunicar às pessoas o impacto que a União Europeia tem nas nossas vidas. Em coisas tão simples como irmos comprar comida ao supermercado, sabemos que podemos confiar porque é certificado devido à União Europeia, mas as pessoas não pensam nisso. Nós não valorizamos o facto de que, se há muitos mais hospitais e escolas, é pelo facto de pertencermos à União Europeia. É esta dificuldade de comunicação, e dada a complexidade que carateriza a arquitetura constitucional europeia, que dificulta o tentar convencer as pessoas a ir votar. Há sempre a estratégia de culpar a UE quando há coisas más e achar que o que é bom é devido à política interna. Os eurodeputados portugueses são fundamentais para garantir que as nossas perdas de financiamento vão ser minimizadas. É através dos fundos comunitários que conseguimos definir uma estratégia mais sustentável para o país, até na parte económica. Os jovens querem segurança, um futuro sustentável. E nós temos de preparar as camadas mais jovens da sociedade para esta realidade que nos vai atingir, a da automação, e que vai atingir diretamente a questão do emprego. E só conseguimos isso com a votação. Outra questão em que vamos incidir é a da natalidade. Os jovens cada vez mais adiam a sua saída de casa e o ter filhos mas acho que podemos discutir com os outros países uma estratégia que pode culminar com um plano europeu para a natalidade.

O que consideram que poderia ser importante para inverter os números da abstenção?
Há várias coisas que podemos fazer, seja através da campanha, ou pelo estarmos mais presentes no terreno. Mas a campanha não se estanca a 26 de maio. Aliás, e isto é uma posição pessoal, eu acho que a campanha começa a 26 de maio e se prolonga pelos próximos cinco anos. Nós andamos sempre em campanha e temos de garantir que, durante os próximos
cinco anos, há comunicação para os nossos eleitores, para quem confiou em nós. Houve uma campanha nos Estados Unidos muito bem-sucedida, cuja ideia era trazer mais uma pessoa a votar: Plus one vote. Com isto, aumentaram a participação jovem em 20%. E acho que passa muito também pela comunicação social, que tem um papel fundamental na questão da abstenção.

 

Quais as expetativas para as eleições?
Há muita motivação e entusiasmo e o feeling que eu tenho é que vamos ganhar as eleições. Agora, vai ser criada toda a dinâmica da campanha, o trabalho em equipa vai ser fundamental, bem como mobilizar as pessoas. Mas estou confiante que vamos ganhar as eleições e, em termos de conversão de mandatos, o ideal era conseguir o máximo de deputados possível. Acredito mesmo que a campanha do PSD tem sido positiva, o explicar o porque de não termos dúvidas no “sermos” europeus, as vantagens da União Europeia e não transformar isto numas primárias para as legislativas. Eu gostava de ver uma campanha mais discutida pelas ideias e não pela troca de argumentos. O meu trabalho será sempre pela positiva.

Como é que acha que a União Europeia vê Portugal?
É curioso porque, nas conversas que tenho com colegas de outras nacionalidades, eles antes de cá virem acham sempre que Portugal ainda é um país atrasado e ficam espantados com a nossa rede de multibanco, com a organização. Em muitas coisas, por exemplo na questão administrativa, estamos ao mesmo nível dos países Bálticos, que são muito conhecidos por estarem focados na questão da digitalização e informatização da administração pública. A Bélgica ou França estão muito atrás. Mas ultimamente começo a ver mais, e fruto do turismo, começa a haver uma ideia mais positiva e isso confirma-se. Para mim Portugal é sempre a minha casa e, se formos para fora, valorizamos muito mais o que temos cá. Para mim é um orgulho estar fora e funcionar como embaixadora do país, chamá-las para cá. Temos mais internacionalização das nossas empresas e tudo isso ajuda. Vamos continuar a valorizar-nos, é um trabalho contínuo e que já está em andamento.

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