Mesa da Assembleia Geral rejeita acusações da Lista C e garante eleições com “total transparência”

A Mesa da Assembleia Geral (MAG) do Vitória SC veio esta segunda-feira, 15 de junho, responder publicamente às acusações feitas pela Lista C, liderada por Viriato Sampaio, garantindo que o ato eleitoral decorreu com total rigor, transparência e respeito pelos Estatutos do clube.

© Vitória SC

Em comunicado divulgado durante a manhã, a MAG considera que as declarações proferidas pela candidatura derrotada na conferência de imprensa de domingo “não correspondem à realidade” e colocam em causa “o bom nome” do presidente da Mesa da Assembleia Geral, João Henrique Faria, e dos restantes elementos envolvidos na organização e fiscalização das eleições.

A reação surge depois de a Lista C ter acusado a MAG de ter recusado, “sem qualquer fundamentação e de forma injustificada”, um pedido de recontagem dos votos e de não ter esclarecido as dúvidas levantadas sobre o voto por correspondência.

MAG diz que pedido de recontagem surgiu após encerramento da Assembleia

Segundo a versão apresentada pela Mesa da Assembleia Geral, o pedido de recontagem apenas foi formulado depois de concluído todo o processo eleitoral e após a proclamação oficial dos resultados. A MAG recorda que todas as mesas eleitorais integravam representantes das quatro listas concorrentes, que acompanharam todo o processo de votação e escrutínio.

De acordo com o comunicado, após o encerramento das urnas, os votos foram contados, conferidos e, em alguns casos, recontados pelas próprias mesas eleitorais sempre que os seus membros entenderam necessário. No final dos trabalhos, foram elaboradas atas em cada uma das mesas, assinadas pelos respetivos presidentes e pelos quatro escrutinadores/fiscais nomeados pelas listas candidatas.

A Mesa da Assembleia Geral sublinha que não foi apresentada qualquer reclamação, protesto ou pedido de nova contagem durante o processo de escrutínio. “Não tendo havido qualquer reclamação ou pedido de nova recontagem por parte de qualquer um dos presentes”, refere o comunicado.

A MAG acrescenta que os próprios representantes da Lista C assinaram as atas das mesas eleitorais, validando os resultados apurados em cada uma delas.

“Não existe norma que permita a recontagem”

O comunicado revela ainda que o contacto com representantes da Lista C aconteceu já depois de a Assembleia Geral Eleitoral ter sido oficialmente encerrada. Segundo a MAG, o presidente da Mesa aceitou reunir com elementos da candidatura por mera cortesia institucional, numa conversa que terá durado mais de uma hora.

Durante essa reunião, foi transmitido aos representantes da Lista C que, no entendimento da Mesa, não existia qualquer fundamento legal ou estatutário que permitisse proceder a uma recontagem dos votos nos termos pretendidos.

Além disso, a MAG sustenta que não foi apresentado qualquer indício concreto de erro ou irregularidade que justificasse uma nova contagem. “Não iria aceder a uma recontagem sem haver qualquer indício de erro ou irregularidade e na ausência dos demais interessados no ato eleitoral”, refere João Henrique Faria.

PSP chamada ao local

Outro dos pontos abordados pela Mesa da Assembleia Geral prende-se com a presença da Polícia de Segurança Pública (PSP) nas imediações do local onde decorreu a votação.

A MAG confirma ter sido informada de que a PSP havia sido chamada para proceder ao arresto das urnas, situação que considera ter colocado em causa a seriedade de todos os envolvidos na organização do ato eleitoral.

O órgão presidido por João Henrique Faria esclarece, contudo, que nunca chegou a ter qualquer contacto direto com os agentes policiais. “A MAG aguardou pela chegada da PSP, mas não chegou a ter qualquer contacto com esta entidade”, pode ler-se. Segundo o comunicado, os elementos da polícia permaneceram no exterior do recinto, desconhecendo a Mesa o que terá acontecido posteriormente.

Voto por correspondência também é esclarecido

Relativamente às dúvidas levantadas pela Lista C sobre o voto por correspondência, a MAG procura igualmente clarificar o seu papel no processo. A Mesa explica que não possui caixa postal própria nem recebe diretamente qualquer correspondência relacionada com o ato eleitoral.

Por essa razão, esclarece que os votos introduzidos nas urnas foram exclusivamente aqueles que deram entrada nos serviços do clube dentro do prazo previsto nos Estatutos. “Os votos descarregados nas urnas foram aqueles que foram recebidos pelos serviços do VSC, tendo sido depositados nas urnas os votos chegados até ao momento limite para o efeito previsto nos Estatutos”, esclarece o comunicado.

Ainda assim, a MAG não responde diretamente às questões colocadas pela Lista C relativamente ao número de sócios que solicitaram voto por correspondência, ao número de boletins enviados ou ao eventual recebimento de votos após o encerramento do prazo eleitoral.

Processo eleitoral decorreu de forma “exemplar”

Ao longo do comunicado, a Mesa da Assembleia Geral faz questão de destacar o ambiente de colaboração que marcou a preparação e realização das eleições.

O órgão recorda que promoveu reuniões prévias com todas as listas candidatas para definir consensualmente os procedimentos eleitorais e que os presidentes das mesas e escrutinadores receberam formação específica sobre os mecanismos de votação e contagem dos votos. “Ato eleitoral ocorreu de forma exemplar, com respeito rigoroso pelos Estatutos e pela lei, e em ambiente de mútuo respeito e até cordialidade entre todos os membros indicados pelas várias listas”, sustenta a MAG.

Clima de tensão mantém-se

O comunicado surge numa altura em que continua a aumentar a tensão em torno das eleições que elegeram Rui Rodrigues como presidente do Vitória SC por uma diferença mínima de apenas dois votos sobre Viriato Sampaio.

Enquanto a Lista C mantém dúvidas sobre o processo e admite recorrer ao Conselho de Jurisdição para analisar a validade do ato eleitoral, a Mesa da Assembleia Geral rejeita qualquer irregularidade e garante que todas as etapas da eleição decorreram de acordo com os Estatutos do clube.

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