MIMO Festival celebra uma década em Portugal e escolhe Guimarães para edição histórica

A cidade de Guimarães vai receber, entre os dias 27 de junho e 5 de julho, a edição de 2026 do MIMO Festival, num momento particularmente simbólico para o certame, que assinala dez anos de presença em Portugal.

© Mimo Festival

O evento, que nasceu no Brasil em 2004 e se afirmou ao longo das últimas duas décadas como um dos mais relevantes festivais internacionais dedicados à música e à cultura, chega agora ao berço com uma programação gratuita, multicultural e multidisciplinar.

A apresentação oficial decorreu na terça-feira, 05 de maio, nos antigos Paços do Concelho, reunindo o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, e a fundadora e diretora do festival, Lu Araújo. A sessão serviu para revelar uma programação que promete transformar o centro histórico vimaranense num palco cultural durante nove dias consecutivos.

O MIMO Guimarães divide-se em dois momentos distintos. O primeiro será o Festival MIMO de Cinema, entre 27 de junho e 2 de julho, seguindo-se o MIMO Festival, dedicado sobretudo à música e às atividades culturais, entre 3 e 5 de julho.

O cartaz musical reúne artistas de mais de dez países e aposta numa forte diversidade estética, cruzando música clássica, música antiga, sonoridades africanas, pop, eletrónica, jazz e linguagens contemporâneas. Entre os principais destaques estão a cantora maliana Oumou Sangaré, o britânico Tricky, Daddy G e Don Letts, que apresentarão um DJ set especial.

O festival contará ainda com atuações de Papillon, Fernanda Abreu, Zé Ibarra, Barbatuques e dos vimaranenses Unsafe Space Garden ou Manuel de Oliveira, entre muitos outros nomes nacionais e internacionais.

Um dos momentos mais aguardados será a celebração dos 30 anos do álbum “Da Lata”, de Fernanda Abreu, considerado um marco na renovação do pop brasileiro. A programação inclui também uma rara atuação de Alaíde Costa, acompanhada por Cristóvão Bastos e Mauro Senise, numa proposta que atravessa diferentes gerações da música brasileira.

Ao longo dos nove dias, o MIMO vai promover mais de 50 atividades, incluindo concertos, cinema, palestras, oficinas, percursos culturais e programação dedicada às crianças. A organização sublinha que o objetivo passa por transformar Guimarães numa cidade vivida através da arte, da partilha e do encontro entre culturas.

O Festival MIMO de Cinema terá lugar no Largo Condessa do Juncal, que será convertido numa grande sala de cinema ao ar livre no coração do centro histórico. Com entrada gratuita, as sessões decorrem de 27 de junho a 2 de julho e incluem uma seleção internacional de 10 filmes, entre longas e curtas-metragens, dedicados à música enquanto expressão artística, social e política. Segundo os organizadores, várias das obras serão exibidas em estreia ou ainda inéditas no circuito comercial.

Na apresentação oficial, Ricardo Araújo destacou a importância estratégica do festival para o posicionamento cultural e turístico de Guimarães. O autarca afirmou que a cidade “conquistou” o MIMO e considerou que a chegada do evento representa “a afirmação de Guimarães como cidade capaz de disputar, atrair e realizar grandes eventos de dimensão internacional”.

O presidente da autarquia defendeu ainda que o evento deve ser vivido por toda a comunidade local. “Queremos que seja um festival das pessoas, da cidade, das freguesias, dos comerciantes, dos empresários, dos criadores e das instituições”, afirmou.

Ricardo Araújo sublinhou também o impacto económico previsto para o concelho e para a região. O MIMO Guimarães deverá atrair cerca de 74 mil participantes ao longo dos nove dias de programação, incluindo dezenas de milhares de visitantes oriundos de fora do concelho.

As previsões apontam para cerca de 40 mil dormidas em Guimarães e nos concelhos vizinhos, enquanto o impacto económico direto poderá situar-se perto dos dez milhões de euros, sobretudo nos setores da hotelaria, restauração, comércio e serviços. O investimento municipal no festival é de 600 mil euros.

Para o presidente do Turismo do Porto e Norte, Luís Pedro Martins, o festival representa uma oportunidade para consolidar Guimarães como um destino cultural de referência internacional. O responsável considerou que a cidade “tem todos os predicados para entrar na Champions League deste tipo de eventos”, destacando a capacidade do MIMO para atrair públicos internacionais e estimular um turismo cultural de maior valor acrescentado.

Já Lu Araújo, fundadora e diretora do festival, destacou a relação natural entre o MIMO e Guimarães, considerando que a cidade reúne todas as condições para acolher um projeto desta dimensão. “O MIMO e Guimarães combinam há muito tempo. Só chegou o momento certo”, afirmou.

A responsável reforçou ainda a importância da gratuitidade do evento, apontando-a como um princípio essencial do festival desde a sua criação. “Realizar um festival gratuito com esta dimensão nos dias de hoje é um ato de resistência e compromisso com a cultura. Acreditamos na arte como ferramenta de transformação social”, declarou.

Criado no Brasil há mais de duas décadas, o MIMO já realizou edições em 14 cidades e recebeu mais de dois milhões de espectadores. Ao longo do percurso, passaram pelos seus palcos mais de quatro mil músicos de diferentes países e estilos musicais.

Em Portugal, o festival estreou-se em 2016 na cidade de Amarante, onde decorreu até 2019. Em 2022 mudou-se para Porto, regressando depois a Amarante onde se manteve até 2025, antes de iniciar agora uma nova etapa em Guimarães.

O centro histórico classificado pela UNESCO, a Colina Sagrada, o Campo de São Mamede e o Paço dos Duques de Bragança serão alguns dos espaços integrados na programação.

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