MORTE AOS TRAIDORES

por ÂNGELA OLIVEIRA
Advogada

Na semana passada a Europa acordou com a notícia de que a trabalhista Jo Cox, defensora da permanência do Reino Unido na União Europeia e de políticas de imigração que respeitem os direitos humanos, foi brutalmente assassinada por um homem que, ao que tudo indica, possui ligações à extrema- direita e a movimentos racistas de supremacia branca…mais do que nunca, a reflexão à direita tem que ser feita. O atacante poderá ser considerado um louco, mas ainda assim é um louco inspirado em ideias neonazi tal como outros se inspiram em propaganda do autoproclamado Estado Islâmico.

Analisando esta onda radical, não é de se admirar que o Mein Kampf seja considerado um best-seller. Até agora só se conseguiam encontrar cópias pirata, o governo da Baviera, detentor dos direitos de autor não autorizava novas edições. Atualmente, 70 anos após a morte de Adolf Hitler, o livro é do domínio público e sua procura tem surpreendido os profissionais do sector que, naturalmente, procuram lucrar com a procura do livro.

Assusta pensar que o livro foi o grande sucesso da Feira do Livro de Lisboa, que a editora Guerra & Paz esgotou a segunda edição e que já prepara a terceira reimpressão, e causa ainda mais espécie saber que o livro foi distribuído como suplemento da edição de sábado do Il Giornale de Milão!!!

Claro que um livro maldito suscita sempre a curiosidade da maior parte dos eleitores, e felizmente a maior parte das vendas será movida tão só por essa curiosidade, mas não há duvida que servirá sempre para alimentar a fogueira da extrema-direita…que sozinha já faz um excelente trabalho…

Perante a notícia deste tipo de acontecimentos, e com os ventos ameaçadores que nos chegam dos megafones de Trump, que não passa de um trauliteiro, mas que ainda é ouvido por muitos, a Direita Europeia precisa afastar-se do discurso radical que fomenta viagens alucinadas de loucos extremistas do género de Thomas Mair.

Quer isto dizer que a ideologia de direita que pretende reduzir a imigração é responsável por este tipo de ataques? Claro que não! Do mesmo modo que o comum dos muçulmanos não será responsável pelo terrorismo jihadista. Não podemos apontar o dedo a ativistas, militantes, apoiantes ou políticos que nada têm a ver com este tipo de ataques. E esta postura de base aplica-se a todo o tipo de terrorismo, ou ataques isolados, sejam eles praticados por radicais islâmicos, sejam por neonazis.

Mas assumindo que a nossa sociedade não é imune a estas ideias, é necessário, e até exigível que a potencialidade de existência de ataques ligados à extrema-direita tenha prioridade na agenda política e que sejam pensadas políticas de prevenção e acompanhamento. A semana passada mostrou-nos, através de vários acontecimentos, que a sociedade deve estar vigilante.

Portugal ainda é um país pacífico e tolerante. Há portugueses espalhados por todo o mundo, e esse facto mantém-nos a todos solidários com quem procura melhores condições de vida. É imprescindível que, publicamente, os nossos políticos repudiem estas ideologias da extrema-direita. Felizmente, ainda não temos racistas como Trump ou Le Pen na luz da ribalda, mas não é impossível de acontecer. É imprescindível que cada um de nós se mantenha intolerante perante ideias extremistas, assumindo essa responsabilidade.

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