Na terra dos Afonsos e das Vitórias

Artigo publicado da edição de setembro da revista Mais Gjuimarães.

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Falar de Guimarães é, inevitavelmente, falar do Vitória. Na terra dos Afonsos e das Vitórias, é no Milenário que nos encontramos, a 22 de setembro de 1922. Há precisamente cem anos, no dia em surge a Associação de Futebol de Braga.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães

Hélder Rocha, aquando dos 75 anos do Vitória, escreveu, n’O Povo de Guimarães: “antes [de 1922] já certamente o futebol era jogado em Guimarães, em terreiros precários, com balizas improvisadas e com os jogadores equipados dentro do chiquismo da época”.

Disputamos o primeiro jogo oficial em 1923, com a visita do Sporting de Braga ao campo da Atouguia.

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A primeira vitória do clube fundado em setembro de 1922, aconteceria a 27 de maio de 1923. A história é contada no blogue Memórias de Araduca: “para esse dia estava previsto um jogo com o Grupo Excursionista do Boavista Foot-ball Club, do Porto, que não compareceu. Em seu lugar, o Vitória recebeu o onze vermelho do Sporting de Braga e o resultado seria um copioso 7-1”.

Depois da Atouguia, os vitorianos passaram a deslocar-se para o campo José Minotes. O espaço, já sem “balizas às costas”, como escreveu Hélder Rocha, foi de pouca dura. Passamos, em 1925, para o Campo da Perdiz, nas imediações da Atouguia, onde, mais tarde, se construiu a tourada. Em 1932, é inaugurado o campo de Benlhevai, com 3.000 pessoas a assistir a um jogo com um final infeliz no resultado frente ao Salgueiros.

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Em 1934, o Vitória conquista o primeiro Campeonato Distrital e, no final da época de 1941/42, o Vitória garantiu o acesso à primeira divisão nacional. Ainda em 1942, garantiu a primeira presença como finalista da Taça de Portugal. Foram 14 épocas consecutivas no maior escalão do futebol nacional.

Novos campos foram obrigados a aparecer e, por imposição da Federação, em 1945/46, começou a ser construído o campo da Amorosa, a casa do clube durante 20 anos.

Tudo parece bem encaminhado quando descemos, no futebol, à II Divisão. 1955 tornou-se, assim, o primeiro de três anos de inferno.

“Três anos de luta ardente e vigorosa bastaram para o regresso. Três anos de incerteza e esperança em que falou bem alto o espírito de combatividade patenteado por todos.”

Entretanto, Hóquei em Patins

“Em Guimarães, uma ideia só muitas raras vezes não alcança o seu objetivo, porque o bairrismo dos vimaranenses não consente a renúncia ou o desânimo.”

Foi nas Caldas das Taipas que vimos nascer, em 1950, a secção de “hóquei patinado”, como se lê no caderno de número único de 1957/58. Perdemos frente ao nosso maior rival, Sporting de Braga, por 16-0. “Mas, apesar de tão expressiva derrota, esses rapazes que envergaram, orgulhosos, a camisola do Vitória, conseguiram um triunfo maior: iniciaram uma etapa nova na vida da sua coletividade e o seu esforço ficou como a semente germinadora de um futuro que viria a ser brilhante”.

Em 1955, com a chegada de João da Cunha Gonçalves, o Vitória venceu a Taça de Honra do Minho e alcançou um 2.º lugar no Campeonato Regional. Dois anos depois, o título que todos esperavam: Vitória torna-se campeão do Minho.

Oito anos depois do começo, terminou o hóquei em patins do Vitória, apesar das tentativas de Manuel Magalhães manter viva a modalidade.

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A ginástica vem, logo depois, como a “modalidade que vai dar o tom ao procurado, e muito defendido, ecletismo no clube”. No livro O Clube D’O Rei descobrimos onde decorriam os treinos, na Parada dos Bombeiros, e os saraus, no Teatro Jordão e no Rinque da Amorosa.

Títulos para o atletismo e, apesar das tentativas, uma modalidade que, na altura, se acabou por se extinguir. 

Entre os 40 e os 50 anos de vida do clube, assistimos ao nascimento do andebol, que se sagra vice-campeão nacional de juniores.

Meio século de Vitória e um crescimento há muito esperado

Temos a época de 1960/61 marcada na nossa memória. Alcançamos o êxito tão desejado: o quarto lugar. Artur Quaresma, então treinador, inaugura em Guimarães as escolinhas da formação para crianças a partir dos 12 anos.

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É aprovado, no início da década de 60, o anteprojeto do Estádio Municipal, inaugurado a 3 de janeiro de 1965. O vimaranense Castro foi o autor do primeiro golo neste estádio. Três anos depois, o melhor feito conseguido até então: o terceiro lugar e uma estreia nas Competições da UEFA.

Meio século de vida, e um período que não foi tão feliz como se previa. Algo que vem a ser mudado com Jeremias e Tito, segundo e terceiro melhores marcadores do campeonato em 1974/75.

António Pimenta Machado foi eleito presidente a 1980 e “o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira”. A ele, devemos o atual estádio D. Afonso Henriques e um crescimento enorme no que ao desporto diz respeito.

(Da década de 80, recordo histórias, todos os anos, contadas pelos meus pais. E não esqueço o Atlético de Madrid. Tantos adeptos de Guimarães que até à capital vizinha se deslocaram!)

Mas não só de futebol eram feitos os sorrisos. Em 1976, o Voleibol escreveu-se no feminino. Voleibol, judo, andebol e até na natação o Vitória dá largos passos. Esta última, oficialmente criada apenas em 2001 e daqui saíram vários campeões nacionais.




Já o basquetebol nasceu da paixão de ex-praticantes, em 1993, com o Basquetebol Clube de Guimarães. Só em 2004, os direitos desportivos foram transferidos para o Vitória.

Na subida e na descida, na vitória e na derrota

Entre 2002 e 2012, várias foram os marcos que registamos. Da saída de Pimenta Machado, à segunda divisão, até a um lugar na pré-eliminatória na Champions. “Depois de quatro qualificações europeias consecutivas nos anos 90, o Vitória entra nesta época vindo de quatro anos de desilusão, sem nenhuma qualificação europeia, com um dececionante 10.º lugar na época anterior.”

© Joana Meneses / Mais Guimarães

O ano de 2006 fica para sempre marcado, além do regresso do ciclismo à cidade, como a descida à segunda. Mas os adeptos não pararam de cantar. Na subida e na descida, na vitória e na derrota. Vitória até morrer.

Com Manuel Cajuda ao leme, 2007 termina sorridente. Lágrimas de felicidade e um Toural cheio. Estava, mais uma vez, provada a força dos adeptos vitorianos. Muitos foram os que, ao longo desse ano, se tornaram sócios.

Também nas modalidades fomos felizes: Zenga campeão mundial de kickboxing e um título em muay-thay, Animal campeão inter-continental de kickboxing e um clube campeão nacional de kickboxing. Na mesma modalidade, no feminino, também nos destacamos e Susana Rosa sagrou-se campeã europeia. Uma secção que deu, e ainda dá, que falar. António Sousa foi, também, campeão mundial.

O judo adaptado, numa parceria com a Cercigui, fez do Vitória um lugar de campeões com nomes como Nelson Silva ou Susana Castro a saírem, tantas vezes, destacados.

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2013: Quando o sonho é real

Rui Vitória e o “ADN Vitória” levam a cidade ao rubro a 26 de maio de 2013, naquela que foi a “mais bela tarde vitoriana da história”.

Acordamos bem cedinho com um único destino: Jamor. As estações de serviço vestiam preto e branco e as vozes uniam-se numa só. A alegria pré jogo prosseguiu para o final. 79’, golo! 81’, golo! 90+4’, acabou! Abraços. Lágrimas. Sorrisos. Em Guimarães, o cenário não mudava. Um ecrã gigante e uma festa que parecia não acabar. Um Toural que arrepiava e a vontade de ficar ali até ser dia.

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Nos Jogos Olímpicos de 2016, Rui Bragança torna-se o primeiro atleta vitoriano a marcar presença nas Olimpíadas e o taekwondo passa a fazer parte do dia-a-dia dos vimaranenses que seguiam atentamente as pisadas do jovem que conciliava a medicina com o desporto. Os Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, trouxeram uma medalha: Manuel Mendes foi bronze na maratona.

Alberto Costa, Ulisses Dias e Nuno Mendes juntam-se, por esta altura, aos nomes sonantes da luta em Portugal. Na natação, João Costa é já um campeão e sonha com os Jogos Olímpicos.

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