NASCER, CRESCER E SER

por MARCELA MAIA
Técnica de relações internacionais na Universidade do Minho

Nascer é fácil para nós porque não é uma opção nossa nem temos memória de o fazer, mas crescer torna-se cada vez mais complicado à medida que os anos passam e trazem consigo escolhas e decisões cujas repercussões tendem a acompanhar-nos.

A nossa sociedade está edificada de maneira a que grande parte de nós tenha que subir degraus de madeira apodrecida todos os dias, e nós todos os dias os subimos, tentando não olhar para o chão e esperando que não seja hoje o dia em que eles caem.

Enquanto crescia, passava imenso tempo a ler livros e a pensar que um dia o meu país – onde involuntariamente nasci, mas voluntariamente vivi – iria estender-me uma cadeira, convidar-me a debitar os meus conhecimentos e a pô-los em prática. Hoje sei que temos que ser nós mesmos os carpinteiros dessa cadeira, assim como temos que martelar o nosso lugar no mercado de trabalho.

Quando terminamos o ensino básico eu e todos os meus colegas realizamos um teste de aptidão que visava ajudar-nos a entender as áreas onde seriamos melhor sucedidos. A mim indicaram-me as Humanidades, mas todas as vozes à minha volta me diziam que as Ciências e Tecnologias eram a melhor área para se vingar no mundo do trabalho.

Será que aos 13 anos deveríamos já saber o caminho a seguir? Não sei, mas sei que eu não sabia e por isso fui desenhando a minha rota da melhor forma possível, sem orientações por aí além.

Atualmente verifico com agrado que os jovens têm ao seu dispor diversas ferramentas que os ajudam a escolher o seu caminho, dando-lhes a conhecer um pouco de cada um dos trilhos que existem disponíveis.

A prática – bastante negligenciada na maior parte das salas de aula face à teoria – tem vindo agora a ser privilegiada e os alunos são convidados a “meter mãos à obra” e a prepararem-se para a realidade do mundo do trabalho. As Escolas Secundárias apostam cada vez mais nos cursos profissionais e na realização de estágios como parte integrante da formação.

Recentemente, Guimarães foi palco de uma feira educativa cujo objetivo passava por evidenciar o que de melhor têm a oferecer as instituições de ensino do nosso Minho.

Milhares de visitantes tiveram oportunidade de conhecer a oferta educativa dos expositores, de experimentar o que poderiam vir a fazer caso seguissem essa área educativa e tiveram acima de tudo oportunidade para esclarecer as suas dúvidas – que certamente seriam imensas – e assim começaram a pavimentar o seu caminho.

Há três anos atrás escrevia que “a névoa que se abateu sobre nós é tão densa que nem os iluminados se fazem ver, é tão espessa que começamos a questionar as nossas capacidades…”.  Hoje não me parece que essa névoa tenha desaparecido, mas talvez nós tenhamos investido em faróis de nevoeiro e consigamos voltar a ver a luz ao fundo do túnel.

Sei que faço parte de uma geração altamente qualificada e instruída que tem imenso para oferecer à Nação. Admiro os que partiram para procurar o seu lugar ao Sol, quiçá num país mais chuvoso, como admiro os que com os seus faróis de nevoeiro cá persistem e espero que estas gerações e as vindouras tornem Portugal novamente num país soalheiro.

Fazem-nos falta pessoas conscientes que se tornem bons profissionais e que sejam aquilo que escolheram ser e não espelhos do que um outro alguém escolheu para si.

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