NO TE PREOCUPES. NO PASSA NADA!

por ÂNGELA OLIVEIRA

Advogada

O socialismo iluminado chavista herdado por Nicolas Maduro pisa a democracia na Venezuela e o Mundo assiste – na melhor das hipóteses, com algum interesse.

Não se percebe a passividade com que o Mundo tem assistido a este espectáculo indigno de atropelo dos Direitos Humanos dos venezuelanos, mas menos ainda se admite a aparente passividade com que o Governo Português observa o destino de cerca meio milhão de portugueses que vivem na Venezuela.

O que terá mesmo que acontecer para que haja uma reação digna a partir do exterior?

A oposição conseguiu democraticamente, há quase um ano, a esmagadora maioria dos lugares no Parlamento. O voto na Venezuela é obrigatório, por isso a maioria dos eleitores venezuelanos disse NÃO A MADURO. Nascia a esperança da mudança, o espírito de quem vive a democracia era acalentado. O Mundo estava a ver “ Maduro Renuncia Ya” …

Maduro não renunciou (claro), e desde então, obriga-nos a assistir de longe a um espectáculo pseudodemocrático a que sujeita a maioria eleita. Sistematicamente a oposição é ignorada, bloqueada e neutralizada com subterfúgios criados para anular direitos constitucionais do Parlamento.

Ora pela redistribuição de postos do Tribunal Constitucional, que garantiu o controlo sobre todas as decisões daquele órgão nos próximos anos. Ora pelo não reconhecimento da maioria de dois terços no Parlamento com acusações contra a oposição.

A oposição, pacificamente (ainda) seguiu a via do referendo revogatório previsto na constituição chavista, mas a autoridade eleitoral controlada pelo governo vai criando tácticas dilatórias em todas as fases preparatórias do referendo, ao mesmo tempo que vamos assistindo, serenos, ás repressões e ao ambiente de guerrilha que os venezuelanos têm enfrentado.

Agora, também o poder judicial decidiu interromper o início da etapa seguinte do referendo, que consiste na recolha da assinatura de 20% dos eleitores venezuelanos, 4 milhões de pessoas. O governo de Maduro sente-se tão seguro no poder que teme que a oposição consiga a assinatura de 4 milhões de pessoas….

A oposição venezuelana tem aprendido uma marga lição. O Mundo não quer saber de quem quer jogar de forma democrática e justa. O povo venezuelano tem conseguido aguentar a falta de alimentos, bens essenciais e medicamentos de forma extraordinariamente pacifica, apesar da reacção sempre violenta do regime de Maduro.

Por cá, o nosso PCP ainda apoia aquele governo de indignos, e a ver pela calma do nosso governo, o estado de espírito é mútuo e continua tudo a acreditar, como disse o Almirante Pinheiro de Azevedo em pleno PREC que “O povo é sereno… é só fumaça.”

A serenidade de quem tem fome não é eterna. A guerra civil na Venezuela já não é apenas uma hipótese teórica. Talvez aí, quando os cerca de meio milhão de portugueses fujam em massa para Portugal vejamos a nossa esquerda proferir lindos discursos nas campanhas de angariação de fundos, sentidos comentários no facebook  e fotografias de quem vai para o meio de quem sofre.

Até lá não há motivo de preocupação, toda a gente sabe que só quando a esquerda se preocupa é que existe mesmo motivo para alarme. Mantenhamo-nos, portanto, serenos porque afinal não são os nossos que lá estão…!

 

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