Novo trabalho de Marco Martins convida a desconfinar

O novo trabalho do realizador e encenador Marco Martins é mais uma boa razão para continuar a desconfinar. Sobe ao palco do Centro Cultural Vila Flor nos dias 14 e 15 de maio, às 19h30 e às 11h00, respetivamente. 

Foto: DR

Perfil Perdido é uma peça de sobre filiação e a figura do pai, criada para dois intérpretes e uma voz. Partindo da representação da figura do pai enquanto elemento central da arte ocidental e da domesticidade enquanto estaleiro, os dois protagonistas percorrem a vida de várias personagens, outros eus, criando relações e cruzamentos inesperados – não têm idade nem género ou corpo definido, transmutam-se entre si, criando mundos fugazes e fragmentados.

Na gíria da história de arte,  Perfil Perdido alude um retrato a ¾, em que o rosto não se vê mas é convocado, em que atenção é focada naquilo que, não sendo explícito, é indiciado como fundamental. Assim parece acontecer muitas vezes no âmbito da família, imbrincado reduto do mais ancestral e problemático que há em nós, onde se joga em alta parada o (des)equilíbrio entre o indivíduo e o coletivo, entre o interesse pessoal e o bem comum.

Ao convocar um trabalho de improvisação que tem como base o fluxo de memórias pessoais de Beatriz Batarda e Romeu Runa,  Marco Martins cria um espetáculo  em que  os vários excertos de textos usados – que  constituem a sua matriz dramatúrgica – são assim simultaneamente uma reconstrução, mais ou menos verdadeira ou falsa da biografia dos seus intérpretes, do que foi vivido ou talvez fantasiado, e também testemunhos diretos de outros autores – como Kafka, Bacon, Sófocles, Siri Hustvedt, Peter Kubelka ou Édouard Louis – sobre as suas relações com a autoridade paternal.

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