Nove em cada dez portugueses consomem pouco a cultura que se produz

Por Eliseu Sampaio,
Diretor do grupo Mais Guimarães

O estudo, “Práticas culturais dos portugueses”, realizado pelo Instituto de Ciências Sociais, da Universidade de Lisboa, a pedido da Fundação Calouste Gulbenkian, apresenta dados que devem preocupar os programadores culturais e responsáveis por esta área nos territórios. Nomeadamente, e logo à partida, o facto de 93% do total dos inquiridos se encontrarem na categoria de ‘baixo consumo cultural’, de atividades como o teatro, ballet, dança, ópera, cinema, circo, concertos, festivais e festas locais, que representam atualmente, diga-se, grande parte da oferta cultural.

Estes dados resultam de um inquérito nacional sobre os hábitos de consumo de cultura dos portugueses nos 12 meses anteriores à pandemia da Covid-19.

Perante isto, parece-me absolutamente necessário que todos os agentes se questionem sobre as políticas que têm sido adotadas na área cultural, e “aferir sobre os circuitos de criação e difusão que as sustentam”, como referem os coordenadores do trabalho. Segundo os mesmos, “o setor cultural não foi um pilar central no pós-25 de Abril, pelo que a democratização cultural tem ainda um longo caminho a percorrer”.

No fim de semana foi inaugurado o “novo” Teatro Jordão e a Garagem Avenida que assumem agora novas funções, nomeadamente como Escola de Artes, Escola de Música, sala de espetáculos, galeria de exposições e salas de ensaio. É mais um equipamento cultural que vem cimentar a posição da cidade-berço como um território marcadamente cultural em Portugal.

Com mais um equipamento, Guimarães poderá adiantar-se neste trabalho de chamar à participação da maioria da nossa população que não se sente cativada pela oferta cultural atual, arriscando aproximar-se aos seus reais interesses, e colhendo, posteriormente, os frutos desse envolvimento.

Tal como aconteceu no passado.

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